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  • A Itália, país da beleza — e o caminho para compreender suas uvas

    Resultado de encontros civilizatórios, cada casta italiana carrega uma narrativa milenar. O conhecimento profundo amplia a apreciação dos vinhos e a capacidade de comunicá-los com precisão e respeito Nataliya Melnychuk / Unsplash Por Júlio César Kunz Diretor da ABS-RS e vice-presidente da ABS Brasil A Itália é um país onde a beleza parece uma matéria-prima inesgotável. Beleza na arquitetura que molda a alma de suas cidades: a monumental Piazza dell’Unità d’Italia, em Trieste — a maior praça italiana aberta para o mar; a Basilica de São Marcos em Veneza, com seus mosaicos dourados; a luminosidade elegante da Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão; e, claro, o Coliseu, que permanece de pé como uma declaração de permanência. Beleza também na arte que permeia cada século de sua história — especialmente no Renascimento florentino, que redefiniu o olhar do Ocidente —, na música que ecoa das praças às grandes óperas, na poesia que moldou o pensamento europeu, na moda que inspira o mundo, e nos vinhos que completam a mesa italiana como parte de sua própria identidade cultural. Não é difícil se apaixonar pela Itália, por sua gastronomia e pelo vínculo íntimo que ela estabelece com o vinho. Mas por trás dessa paixão imediata existe uma profundidade que somente o estudo rigoroso revela — e é justamente esse o caminho que se abre para quem se empenha em compreender verdadeiramente o vinho italiano. Da admiração ao conhecimento profundo Como Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, aprendi que não basta degustar vinhos, caminhar entre colinas e montanhas, ou cultivar amizades com produtores — ainda que isso seja sempre prazeroso e enriquecedor. Para entender a Itália em toda a sua complexidade, é preciso estudar. E estudar muito. Essa é, aliás, a grande lição do professor Attilio Scienza, o mais influente pesquisador de viticultura da Itália contemporânea. Em suas obras, Scienza demonstra que compreender o vinho italiano exige um mergulho profundo em história, mitologia, arqueologia, botânica e genética. A Itália foi forjada na confluência de todas as influências possíveis: grega, púnica, etrusca, ibérica, romana e franco-borgonhesa. Suas uvas são resultado desse encontro civilizatório, e cada casta carrega consigo uma narrativa milenar que só se revela com estudo atento. Tucker Monticelli / Unsplash A estátua de um monge, em um vinhedo da ilha de Torcello, região do Vêneto, no norte da Itália, destaca a longa tradição de viticultura no país O estudo das uvas é o estudo da própria Itália O primeiro passo é simples apenas na aparência: saber quais uvas estão em quais regiões, articulando esse conhecimento com: clima e altitudes, características de adaptação, práticas vitícolas tradicionais e perfis sensoriais associados a cada território. Mas esse é apenas o começo. Para compreender, de fato, o vinho italiano, é preciso dar o passo seguinte: associar geologia à genética. E aí a beleza se torna um labirinto fascinante. A geologia explica a expressão. A genética explica a identidade. E a história explica o porquê. Sem entender a rica mitologia que envolve as antigas variedades — como Vênus, Baco, as ninfas, os heróis fundadores —, perde-se metade do significado simbólico que moldou o modo italiano de se relacionar com a videira. E quando finalmente acreditamos estar começando a compreender, chega o momento de lidar com o verdadeiro desafio: sinônimos para a mesma uva famílias varietais biotipos regionais clones adaptações microclimáticas cruzamentos naturais ao longo de séculos O que parecia simples revela-se um universo. Quando a genética esclarece e nasce a compreensão verdadeira É então que a genética — para usar uma imagem recorrente de Scienza — funciona como uma “lanterna na neblina”. De repente, tudo aquilo que parecia desconexo começa a ganhar sentido: a razão pela qual o Sangiovese assume inúmeras faces, a conexão entre Glera, Prosecco Tondo e as variedades de origem eslovena, a árvore genealógica que liga Nebbiolo, Freisa e Vespolina, as relações mediterrâneas profundíssimas entre variedades do sul, muitas de origem grega ou fenícia e o papel dos Alpes como refúgio e origem de cruzamentos naturais. Nessa hora, aquela paixão inicial e superficial pela Itália transforma-se em algo maior: um conhecimento profundo, sólido, que amplia a capacidade de apreciação dos seus vinhos e, sobretudo, a capacidade de comunicá-los com precisão, respeito e verdade. O estudo não diminui a paixão: ele a intensifica. E quanto mais se estuda a Itália, mais ela revela sua grandeza. Vinhos e Vinhas da Itália terá segunda edição em julho Edição 2025 do curso apresentou mais de 40 rótulos de diferentes castas italianas, contou com experiência gastronômica harmonizada, e foi conduzida por Italian Wine Ambassadors da ABS-RS Descubra a Itália e aprofunde seus conhecimentos com o curso Vinhas e Vinhos da Itália, uma experiência única promovida pela seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS). Em sua segunda edição – em 2025 as vagas se esgotaram rapidamente – o curso proporciona uma verdadeira viagem ao coração da viticultura italiana, explorando a diversidade e a tradição de suas uvas autóctones e regiões emblemáticas. Com aulas gravadas e uma imersão presencial exclusiva, realizada no dia 18 de julho, em Bento Gonçalves, os participantes terão a oportunidade de degustar 20 vinhos italianos icônicos, harmonizados com pratos típicos, em uma experiência sensorial inesquecível. O conteúdo foi cuidadosamente elaborado para sommeliers, estudantes de enologia, profissionais da gastronomia e entusiastas do vinho e da cultura italiana, promovendo aprendizado técnico e vivências culturais. As aulas serão conduzidas por um time de especialistas reconhecidos internacionalmente, todos com certificação Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, garantindo uma abordagem didática, aprofundada e atual sobre o universo dos vinhos italianos. O curso tem vagas limitadas, por isso não perca essa oportunidade. Inscreva-se agora! PROGRAME-SE: Curso Vinhas e Vinhos da Itália - Professores com certificação Italian Wine Ambassador, pela Vinitaly International Academy - Formato híbrido: aulas gravadas online + imersão presencial - Foco nas castas autóctones da itália - Conexão entre história, tradição e excelência vinícola Início: aulas online disponibilizadas em julho Imersão presencial: 18 de julho, das 8h30 às 17h30 Local do encontro presencial: Sede da ABS-RS, em Bento Gonçalves Aula, degustações e almoço harmonizado inclusos no curso Professores: - Júlio César Kunz: Italian Wine Ambassador - Vinícius Santiago: Italian Wine Ambassador - Caroline Dani: representante do Brasil na OIV e presidente da ABS-RS Inscrições e mais informações: aqui ou pelo WhatsApp (54) 99972.0130

  • Quanto custa um hectare de vinhedo pelo mundo?

    Levantamento feito por consultoria imobiliária especializada mostra que a ascensão ou o declínio do prestígio dos rótulos também impactam no mercado imobiliário dos vinhedos mundiais Por Sarah Neish para The Drink Business https://www.thedrinksbusiness.com/2026/04/how-much-does-one-hectare-cost-to-buy-around-the-world/ No mercado vinícola, muito tem sido debatido sobre a conveniência de possuir um vinhedo. E uma enxurrada de vendas de alto valor observadas no ano passado, sugeria que proprietários estão descontando seus investimentos e deixando o campo. No entanto, o relatório anual de 2026, da empresa imobiliária independente Knight Frank pinta um quadro bastante diferente e sinaliza para potenciais compradores, as regiões nas quais vale a pena se concentrar. De acordo com o relatório, as regiões de alto interesse incluem o tríptico clássico de Champagne, Bordeaux e Borgonha na França. Essas três regiões se encaixam melhor na fórmula mágica para o valor atual da vinha, que são “vinhedos com uma forte história narrativa focada na origem e na tradição”, diz o relatório. Nos EUA, o valor dos vinhedos de Napa Valley continua a subir, mas o Willamette Valley, no Oregon, também é uma oportunidade a se observar. Classificadocomo “um ponto ideal de clima frio para Pinot Noir e Chardonnay”, o relatório diz que Willamette Valley oferece “apelo adjacente à Borgonha a preços absolutos mais baixos”. Trabalho italiano Para aqueles que buscam um pedacinho de chão na Itália, o Piemonte sai por cima devido a uma “profunda demanda global por suas marcas escassas e ultra-premium”. No entanto, a Toscana também está passando por grandes melhorias vitivinícolas, especialmente nas áreas de Montalcino e Bolgheri, o que significa que os vinhedos estão se tornando um ativo cada vez mais valioso. “Na Toscana, estamos vendo uma grande mudança em direção à qualidade sobre a quantidade, produçãoorgânica sobre a tradicional e um movimento em direção a melhores áreas de cultivo, enquanto direcionam terras menos adequadas para outras produções, como azeitonas e árvores frutíferas”, diz Bill Thomson, presidente da Knight Frank's Italian Network. “Isso se reflete nas mudanças nas adegas dos melhores produtores.” O turismo conta Na comparação entre um vinhedo em Stellenbosch, na África do Sul e em Barossa Valley, na Austrália (ambos custam cerca de US$ 300 mil por hectare, veja a lista abaixo), o investimento mais forte pode ser Stellenbosch. Porque, como o relatório destaca: “As margens mais duradouras se acumulam onde o lugar, as pessoas e a hospitalidade convertem os visitantes em defensores”. As regiões que se destacam em todas essas três características incluem também o Napa Valley, local que a Knight Frank diz que “estabelece a referência para a hospitalidade do vinho e o luxo do estilo de vida”, mas também Stellenbosch, Provença e Toscana, que têm “profundo pedigree experiencial” combinado com “paisagens deslumbrantes, hospitalidade premium e excelentes vinhos”. Isso não quer dizer que o Barossa não deva ser considerado, no entanto, com o valor da vinha lá (e no Eden Valley) esperado para ainda se valorizar. Duas outras regiões sinalizadas pelo relatório como tendo um forte potencial de investimento são o Vale Uco da Argentina, que disse oferecer “uma infraestrutura turística dinâmica”, e a Geórgia. “Na fronteira da Europa e da Ásia, a Geórgia oferece uma história única de vinhos rica em religião, cultura e história”, impulsionando-a para os dez principais locais, segundo a Knight Frank, para “consumo de experiência”. A escassez supera a escala Em última análise, para o investidor, a escassez supera a escala. “Vinhedos nas principais regiões, como Champagne e Bordeaux, são onde os mundos das marcas de luxo e da vinificação comercial se sobrepõem, criando uma classe de ativos altamente resiliente”, diz o relatório. No entanto, mudar as preferências do consumidor no estilo do vinho também é “remodelar o mapa de oportunidades” e criar novos pontos de investimento em vinhedos. “Tintos mais claros, mais tensos e brancos vibrantes e precisos – combinados com os efeitos das mudanças climáticas – estão remodelando o mapa de oportunidades. O sul do Mâconnais e o norte de Beaujolais estão atraindo atenção, enquanto o Vale do Loire mostra um impulso semelhante”, diz Nicolas Parmentier, chefe de transações de vinhedos da consultoria imobiliária. Mas afinal, quanto o valor do hectare de vinhedo pelo mundo? Quando o valor da vinha é dividido pelo custo por hectare, pode-se observar algumas surpresas. Por exemplo, custa a mesma quantia omprar um único hectare em Marlborough, Nova Zelândia, que em Essex, Reino Unido (US$ 120 mil por hectare). E se o volume é o objetivo e se busca terras na Itália, então vale a pena saber que cinco hectares no Chianti Classico custam aproximadamente o mesmo preço que apenas um hectare em Bulghari ou em Brunello de Montalcino. Fonte: Wealth Report 2026 realizado pela consultoria imobiliária Knight Frank

  • Sommelier profissional: mercado amplia e exige mais especialistas

    Profissional do vinho ganha relevância no Brasil com amadurecimento do setor e acordo Mercosul-União Europeia, abrindo novas oportunidades e demandas Por Andreia Gentilini Diretora Tesoureira ABS-RS e colunista do Correio do Povo* Casa Hotéis / Divulgação / CP Gustavo Buske conquistou o tricampeonato como Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul, levando o título nos concursos de 2022, 2023 e 2026 Celebrado hoje, 3 de junho, Dia Internacional do Sommelier, o profissional que durante muitos anos foi associado exclusivamente ao serviço do vinho vive um dos momentos mais relevantes da sua história no Brasil. Impulsionada pelo amadurecimento do mercado, pela cultura do vinho e pela sofisticação da gastronomia e da hospitalidade, a sommellerie amplia seu espaço e assume funções cada vez mais estratégicas. O cenário ganha ainda mais força diante das perspectivas abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, firmado em maio de 2026, que aproxima mercados e amplia oportunidades de circulação de produtos e serviços entre 31 países. Nesse contexto, cresce a demanda por profissionais preparados para atuar não apenas em restaurantes, mas também em hotéis, importadoras, varejo especializado, enoturismo, gestão de adegas e desenvolvimento de experiências. Para a Associação Brasileira de Sommeliers no Rio Grande do Sul (ABS-RS), referência nacional em formação profissional, o futuro aponta para um mercado que valoriza cada vez mais especialistas capazes de unir repertório técnico, visão de serviço e sensibilidade para transformar uma taça em experiência. A evolução do papel do sommelier Essa evolução acompanha uma mudança importante no comportamento do consumidor. Hoje, beber vinho é apenas parte da experiência — compreender origem, estilo, harmonização, temperatura, serviço e contexto tornou-se um diferencial valorizado. O sommelier atua justamente nesse encontro entre técnica e emoção. É o profissional que traduz o trabalho do produtor, interpreta terroirs, conduz escolhas e cria memórias à mesa. Não por acaso, concursos e certificações ganharam relevância como forma de reconhecer excelência. Um dos exemplos mais representativos desse momento é Gustavo Buske, eleito Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul em 2026, conquistando o título pela terceira vez, após as vitórias de 2022 e 2023. Atual head sommelier do Grupo Casa Hotéis e gerente de alimentos e bebidas da Casa da Montanha, Buske representa uma geração que entende que conhecimento técnico precisa caminhar ao lado do serviço. Em entrevistas após a conquista, destacou que o estudo contínuo é parte essencial da profissão — uma área onde nunca se chega ao ponto final do aprendizado. A sommellerie na hotelaria e gastronomia Esse olhar especializado aparece de forma clara na hotelaria contemporânea. A Coleção Casa Hotéis, que reúne empreendimentos reconhecidos da Serra Gaúcha e dos Campos de Cima da Serra, transformou gastronomia e serviço em pilares centrais da experiência de hospedagem. Mais do que uma carta extensa, o vinho passa a ser elemento central da experiência e da identidade. Restaurantes como o Alma RS, comandado pelo chef Vladmir Paiva, mostram como vinho e cozinha deixaram de ocupar espaços separados para criar experiências integradas e conectadas ao território. Estive hospedada no Parador Cambará do Sul e também no Wood Hotel e pude perceber na prática esse cuidado — desde a curadoria dos rótulos até a forma como o serviço acompanha o ritmo do hóspede e valoriza produtores e estilos que dialogam com cada momento da estadia. É um exemplo de como a presença de um sommelier qualificado deixou de ser um diferencial para se tornar parte estratégica de negócios que apostam em excelência, hospitalidade e memória afetiva. Formação e capacitação profissional Para quem deseja ingressar nesse mercado ou aprofundar conhecimentos, a formação especializada tornou-se um passo decisivo. A ABS-RS chega em 2026 à marca de sua 25ª turma de formação profissional e já colocou no mercado quase 1,5 mil profissionais certificados, mantendo ainda vínculo internacional como membro exclusivo no Brasil da Association de la Sommellerie Internationale (ASI), entidade sediada na França e presente em 62 países. As próximas turmas do curso Sommelier Profissional começam em 24 de junho, na modalidade online, e em 10 de julho, na modalidade presencial. A formação contempla degustações orientadas, técnicas de serviço, harmonização, mise en place, visitas técnicas e contato com rótulos de diversas regiões do mundo — incluindo aproximadamente 80 rótulos ao longo do curso. Em um setor que cresce e se profissionaliza rapidamente, investir em conhecimento deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito. Informações completas sobre inscrições, professores e programação estão disponíveis no site da ABS-RS. *Texto publicado no Correio Do Povo em 31/05/2026 https://www.correiodopovo.com.br/gastronomia/colunistas/andreiagentilini/sommelier-profissional-mercado-amplia-e-exige-mais-especialistas-1.1717718#goog_rewarded FORMAÇÃO DE SOMMELIER PROFISSIONAL ABS-RS Para quem busca iniciar a qualificação para atuar na área ainda em 2026, a ABS-RS está com as últimas vagas disponíveis nos cursos de formação de Sommelier Profissional. Não deixe a oportunidade passar! Garanta sua vaga com a melhor formação oferecida no país. Modalidade On-line Início das aulas: 24 de junho de 2026 Carga horária: 145 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 969,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 11.967,00. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.030,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 12.720,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130 Modalidade presencial Fotos Cesar Silvestro e Martha Caus Início das aulas: 10 de julho de 2026 Carga horária: 130 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.090,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 13.461,60. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$1.150,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 14.202,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130

  • Dia Estadual do Sommelier e do Suco de Uva entrarão para o calendário oficial do RS

    Projetos de lei buscam valorizar profissionais da área e destacar cadeia produtiva. Para interessados em iniciar qualificação ainda em 2026, curso de formação da ABS-RS está nas últimas semanas para inscrições Fotomontagem com imagem de Louis Hansel/Unsplash Nessa terça-feira, dia 26 de março, foram aprovados, pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, os projetos de lei que instituem o Dia Estadual do Sommelier e o Dia Estadual do Suco de Uva. Os projetos ainda passarão pela sanção do governador Eduardo Leite passando, a partir de então, a integrar ao calendário oficial do Estado, reforçando a relevância cultural, econômica e social da produção de uvas, vinhos e derivados para o Rio Grande do Sul, assim como do profissional que atua unindo as pontas dessa cadeia produtiva tão relevante para os gaúchos. O projeto de lei (PL) 373/2023 estabelece o Dia Estadual do Suco de Uva, a ser celebrado anualmente no primeiro domingo de março, valorizando um produto símbolo da agroindústria gaúcha e da agricultura familiar. Já o PL 80/2024 institui o Dia Estadual do Sommelier, em 3 de junho, destacando a importância dos profissionais responsáveis por aproximar o consumidor do universo do vinho e das bebidas. As propostas, de autoria do deputado Guilherme Pasin (PP), foram aprovadas em votação conclusiva. Segundo o parlamentar, as medidas reconhecem a contribuição de um setor que movimenta a economia, gera empregos, impulsiona o turismo e fortalece a identidade cultural das regiões produtoras do Estado. O reconhecimento oficial dessas datas também destaca a importância estratégica do sommelier no desenvolvimento do mercado brasileiro de vinhos. Mais do que especialistas em serviço, esses profissionais atuam como ponte entre produtores, estabelecimentos e consumidores, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre vinhos, qualificar experiências de consumo e estimular a valorização dos produtos nacionais. Em 2025, o mercado de vinhos no Brasil teve alta de 42%, registrando crescimento consistente nos últimos anos, acompanhado pelo aumento do interesse do público por informação, cultura e experiências ligadas ao setor. Nesse cenário, cresce também a demanda por profissionais capacitados, tornando a qualificação uma ferramenta fundamental para quem deseja atuar em áreas como serviço, varejo, turismo, gastronomia, comunicação e educação do vinho. "Quem tiver conhecimento certamente vai se destacar, será cada vez mais necessária a presença de profissionais habilitados nos salões dos restaurantes, nas adegas, nos comércios e nas importadoras, por exemplo", esclarece Caroline Dani. E a presidente da Associação Brasileira de Sommeliers no Rio Grande do Sul (ABS-RS) vai mais além: "Cada vez mais o sommelier com formação completa será mais procurado e valorizado, o que vai significar boas posições nas empresas e o desenvolvimento de carreira na área", completa Caroline. Para quem busca iniciar a qualificação para atuar na área ainda em 2026, a ABS-RS, está com as últimas vagas disponíveis nos cursos de formação de Sommelier Profissional. Oferecido nos formatos online e presencial, as turmas iniciam dia 24 de junho e 10 de julho respectivamente. A ABS-RS já formou quase 1,5 mil profissionais com certificação no Brasil e no mundo. E a ABS é membro exclusivo no Brasil da Association de La Sommellerie Internationale (ASI). Com sede na França e presente em 62 países, a ASI representa a categoria internacionalmente. Os cursos capacitam o aluno a exercer as mais diversas funções da profissão, abrangendo todas as necessidades da área: foco em degustação, técnicas de serviço do vinho, mise en place, harmonizações, noções de coquetelaria, entre outras. Tanto na modalidade presencial quanto na online há ainda a possibilidade de degustar mais de 80 rótulos de diferentes partes do mundo – a formação contempla pelo menos R$ 30 mil em vinhos, destilados, fermentados, coquetelaria, cerveja entre outras bebidas, com rótulos premium das principais regiões produtoras do mundo. O conteúdo completo, os professores e a programação detalhada podem ser conferidos aqui, no site da ABS-RS. FORMAÇÃO DE SOMMELIER PROFISSIONAL ABS-RS Modalidade On-line Início das aulas: 24 de junho de 2026 Carga horária: 145 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 969,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 11.967,00. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.030,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 12.720,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130 Modalidade presencial Fotos Cesar Silvestro e Martha Caus Início das aulas: 10 de julho de 2026 Carga horária: 130 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.090,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 13.461,60. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$1.150,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 14.202,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130

  • Gustavo Buske é o melhor sommelier do RS 2026

    O tricampeonato foi obtido em uma prova emocionante, transmitida ao vivo pela ABS-RS. Lucas Uliana, vencedor em 2025, ficou em segundo e, Marcelo dos Santos, finalista também em 2023, completou o pódio Fotos Martha Caus Vencedor nos concursos de 2022 e 2023, Buske voltou a concorrer e levar o título estadual É a terceira vez que o profissional, nascido em Canela, conquista o título mais cobiçado da categoria no Rio Grande do Sul. A prova que consagrou Buske foi realizada em Bento Gonçalves (RS), em programação paralela do escritório gaúcho da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) durante a Wine South America. Lucas Uliana, vencedor do concurso em 2025 e também vice-campeão em 2024, obteve a segunda colocação. Já Marcelo dos Santos, que chegou à final do concurso em 2023, e ostenta o título de Melhor Sommelier do Sul do país em um reality show, completou o pódio. Na mesma agenda de eventos os sommeliers Felipe Guarnieri de Lima e Evandro Luiz Bleichuveh receberam a Certificação Pin Verde Amarelo, uma certificação nacional de excelência para Sommeliers Profissionais, organizada pela ABS-RS, um atestado de alto conhecimento na área, concedido a quem comprova competência através de rigorosas provas teóricas e práticas. Em 2025, os sommeliers Bruno Sias, Lucas Uliana e Gustavo Buske conquistaram este destaque. "Minha ideia ao fazer a inscrição para prova de melhor sommelier era manter atualizados os meus conhecimentos", afirma o vencedor, que recebeu o título de melhor do estado também em 2022 e 2023, "foi uma prova que exigiu muito, tanto do ponto de vista teórico, quanto do prático", reconhece. Buske, que é head sommelier do grupo Casa Hotéis e gerente de alimentos e bebidas da Casa da Montanha, tem também a premiação como melhor sommelier de águas do Brasil, recebida em 2025. "A prova teórica estava bem difícil", reconhece Caroline Dani, "percebemos que os profissionais se dedicaram muito ao estudo para poder vencer essa etapa", aponta a presidente da ABS-RS. Caroline assegura ainda que, em relação à prova prática, o serviço foi de alto nível: "tínhamos ali profissionais que já haviam participado da competição em outros anos, o que nos obrigou como Instituição a fazer uma prova bem diferente das outras", confessa. A prova prática foi realizada em etapas, primeiro com a teoria, em questões que envolveram conhecimentos gerais sobre vinhos, métodos de produção e harmonizações. Depois disso veio a prática, com degustação às cegas, identificação de bebidas em taças negras, análise de cardápios e demonstração de conhecimentos em harmonização de pratos e o serviço de vinhos e espumantes. A prova prática do concurso de Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul teve transmissão ao vivo e está hospedada no canal do YouTube da ABS-RS. Desde a data de realização, mais de 2 mil pessoas assistiram à final. Confira os vencedores MELHOR SOMMELIER DO RIO GRANDE DO SUL 2026 1º lugar: Gustavo Buske Head sommelier do grupo Casa da Montanha 2º lugar: Lucas Uliana Sommelier da Vino Verace 3º lugar: Marcelo dos Santos Sommelier da Vinícola Aurora CERTIFICAÇÃO PIN VERDE AMARELO Felipe Guarnieri de Lima, de Bento Gonçalves (RS) Evandro Luiz Bleichuveh, de Piratuba (SC) Gustavo Buske (ao centro), vencedor da prova está ladeado por Lucas Uliana (dir.), Marcelo dos Santos (esq.) e os professores e diretores da ABS-RS. A partir da esquerda: Marcos Graciani, Vinicius Santiago, Mauricio Roloff, Caroline Dani, Bruno Sias (vencedor 2024), Martha Caus e Júlio César Kunz. Resultados do Concurso Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul 2026 1º: Gustavo Buske 2º: Lucas Manzoni Uliana 3º: Marcelo dos Santos 2025 1º: Lucas Manzoni Uliana 2º: Bruno Sias Rodrigues 3º: Rafael Barasuol Mallmann 2024 1º: Bruno Sias Rodrigues 2º: Lucas Manzoni Uliana 3º: Emmanuel Vinícius Franco de Abreu 2023 1º: Gustavo Buske 2º: Deisi da Costa 3º: Marcelo dos Santos 2022 1º: Gustavo Buske

  • Cinco motivos para visitar a Vinoble em 2026

    Realizada em Jerez, na Espanha, a feita tem foco em vinhos fortificados e doces especiais, permitindo imersão na cultura da região, reconhecida por produtos únicos e tradições enológicas Por Vinícius Santiago, professor da ABS-RS Fotos divulgação A Vinoble é uma feira internacional dedicada exclusivamente a vinhos nobres, generosos, licorosos e doces especiais, realizada no histórico Alcázar de Jerez, na Espanha. A próxima edição ocorrerá de 30 de maio a 1º de junho de 2026. Para estudantes de sommelerie, a Vinoble oferece uma oportunidade única de aprofundar conhecimentos e vivenciar experiências enriquecedoras no mundo dos vinhos. 1. Contato com uma variedade exclusiva de vinhos A Vinoble é a única feira internacional focada exclusivamente em vinhos fortificados e doces especiais, proporcionando aos estudantes a chance de degustar e estudar uma ampla gama de rótulos raros e de alta qualidade, tanto do Velho quanto do Novo Mundo. 2. Participação em programas de degustação internacional A feira oferece um programa de degustações com uma abordagem internacional, permitindo que os participantes ampliem seu paladar e compreendam as nuances de diferentes estilos de vinhos nobres. As degustações comparativas permitem que o sommelier conheça em profundidade estilos únicos de vinhos e suas diferenças em relação a outros produtos. 3. Networking com profissionais renomados Vinoble reúne produtores, compradores e importadores de vinhos de diversos continentes, oferecendo aos sommeliers a oportunidade de interagir com especialistas, ampliar sua rede de contatos e aprender diretamente de profissionais experientes. 4. Imersão na cultura vitivinícola de Jerez Realizada no Alcázar de Jerez, uma antiga fortaleza mourisca, a feira permite que os visitantes mergulhem na rica história e cultura vitivinícola da região, conhecida por seus vinhos únicos e tradições enológicas. A cidade também oferece eventos paralelos à feira, visitas às vinícolas e degustações temáticas. 5. Acesso a informações privilegiadas e tendências do setor Participar da Vinoble oferece aos estudantes insights sobre as últimas tendências e inovações no mundo dos vinhos nobres, além de acesso a informações privilegiadas que podem enriquecer sua formação e prática profissional. Em suma, a Vinoble 2026 representa uma oportunidade inestimável para estudantes de sommelerie aprofundarem seus conhecimentos, vivenciarem experiências únicas e estabelecerem conexões valiosas no universo dos vinhos nobres.Para mais informações e para se programar para a feira, acesse https://www.vinoble.org/

  • Cinco motivos para aproveitar o melhor da sommellerie na WSA

    Confira as atividades imperdíveis desenvolvidas pela ABS-RS para os profissionais e os apaixonados por vinho na Wine South America, feira de negócios que ocorre na próxima semana Fotos Martha Caus e Cesar Silvestro Masterclasses, 6ª Jornada do Sommelier, Concurso Melhor Sommelier do RS 2026 e diversas ações promocionais estão no menu de ações a serem realizadas pela ABS-RS na Wine South America A partir de terça-feira, Bento Gonçalves sedia a Wine South America, a feira de negócios realizada no principal polo vitivinícola do país. Estão confirmados um grande número de expositores internacionais, uma área expressiva de vinícolas brasileiras e profissionais de mercado de todo o país. E a seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) está com ações imperdíveis nesse momento de encontro da cadeia produtiva e comercial do vinho no Brasil. Confira os principais motivos para aproveitar todas as atividades promovidas pela ABS-RS, principal formadora de sommeliers no país! 1 . Aprofundar conhecimentos e degustar novidades nas Masterclasses com os professores da ABS-RS Serão quatro aulas diferentes por dia, totalizando 12 oportunidades para aprofundar conhecimentos sobre regiões produtoras de dentro e fora do Brasil, estilos de vinhos, desenvolvimento de carreira e para degustar as novidades desse universo. As aulas serão conduzidas pelos professores da ABS-RS tendo também participação de convidados especiais. Confira aqui a grade dos temas e garanta seu lugar pois as vagas são limitadas (e disputadas!) Masterclasses ABS-RS Quando: 12, 13 e 14 de maio – de terça a quinta-feira Horário: a partir das 13h30 Valor*: Sócios ABS-RS: R$ 20 I Público em geral: R$ 40 Inscrições: no site da WSA em MASTERCLASSES ABS-RS, dentro da aba Programação * com cashback para contratação de produtos da ABS-RS 2 . Se atualizar sobre o Acordo Mercosul e União Europeia na 6ª. Jornada do Sommelier O complexo e polêmico acordo comercial entre dois grandes blocos econômicos e o setor vinícola darão a tônica dos debates realizados na edição 2026 da Jornada do Sommelier. Experts nacionais e internacionais participarão de painéis que abordarão as questões mercadológicas no que se refere ao vinho – como tarifas, prazos e regramentos - e sobre os desafios e oportunidades para o sommelier nesse novo cenário. E para não deixar passar essa oportunidade de se inteirar e tirar dúvidas sobre o futuro do seu negócio ou o desenvolvimento de sua carreira, os sócios da ABS-RS participantes da Jornada têm desconto de 50% na aquisição do ingresso para a Wine South America. Não tem como ficar de fora! Confira aqui a programação e os painelistas convidados. 6ª. Jornada do Sommelier - O mercado de vinhos e a sommellerie brasileira diante do acordo entre Mercosul e União Europeia Quando: 14 de maio, quinta-feira Horários: 9h15 às 10h45 - Painel I: Choque de mercado: os movimentos comerciais esperados no setor do vinho 11h às 12h30 - Painel II: Desafios e oportunidades para os sommeliers brasileiros Local: Auditório da Wine South America Valor: A partir de R$ 500, incluindo o acesso à WSA * Sócios da ABS-RS têm 50% de desconto na aquisição do ingresso Ingressos: nos sites da ABS-RS e da Wine South America 3 . Conhecer os finalistas do Concurso Melhor Sommelier do RS 2026 Nos dias 11 e 13 de maio, os melhores profissionais do estado disputarão o título de Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul. Após o resultado do teste teórico, os três melhores passam para a final, onde uma série de provas práticas com degustação às cegas, identificação de bebidas em taças negras, análise de cardápios, conhecimentos em harmonização e o serviço impecável de vinhos e espumantes, revelará o vencedor. Como já é tradição, a prova prática, realizada a partir das 8h30 do dia 13, terá transmissão ao vivo pelo YouTube da ABS-RS. No ano passado, mais de 2 mil pessoas assistiram ao emocionante desempenho dos três finallistas. O evento será comentado em tempo real pelo professor da ABS-RS Vinicius Santiago. O anúncio e premiação do vencedor será realizado durante a feira. Fique de olho e torça pelo seu favorito! Concurso Melhor Sommelier do RS 2026 - Etapa Final Quando: dia 13 de maio, quarta-feira Horário: a partir das 8h30 Transmissão: pelo canal da ABS-RS no Youtube 4 . Ações promocionais: bolsa de estudos, cashback, descontos e brindes Somos apaixonados por vinho e a ABS-RS tem como missão fomentar a cultura e qualificar o mercado por meio do conhecimento. Por isso, durante a Wine South America, ativaremos uma série de ações promocionais para proporcionar que cada vez mais pessoas possam aprimorar seus conhecimentos e sua formação. Não tem como não aproveitar as oportunidades para investir na sua paixão ou na sua carreira: Bolsa de formação: Além de se informar sobre os cursos e eventos mais interessantes do universo da sommellerie, a visita ao espaço da ABS-RS pode te render a formação mais desejada do país! Novamente, esse ano, será sorteada uma bolsa integral para o curso de Sommelier Profissional Online aos visitantes. Basta preencher um cadastro e torcer para ser o ganhador. O sorteio ocorre no encerramento da WSA, com transmissão ao vivo pelo Instagram da ABS-RS. Nos visite, se inscreva e nos acompanhe pelas redes sociais! Cashback: Os participantes das Masterclasses receberão 100% valor investido nas aulas como crédito para aquisição de produtos da ABS-RS como cursos, experiências, ou ainda para se tornar sócio da entidade. O valor ficará disponível para uso por seis meses. Descontos e brindes: Os inscritos nos eventos da ABS-RS terão 15% de desconto na matrícula para os cursos que serão lançados na feira. Os cinco primeiros inscritos ganharão um presente que tem tudo a ver com a formação adquirida. 5 . Networking e troca de experiências Como não poderia deixar de ser, o ponto de encontro dos apaixonados por vinho é o espaço da ABS-RS. Por lá marcam presença os diretores e professores da entidade além dos dirigentes do setor, profissionais, empresários, parceiros, sócios e alunos que aproveitam o momento para conversar, tirar fotos, trocar impressões e se atualizar sobre tudo que se relaciona ao vinho. Venha nos visitar, fazer um brinde e bater um papo com quem faz a sommellerie acontecer. Nos vemos lá!

  • A encruzilhada criativa da Borgonha

    Como uma das regiões mais tradicionais do mundo encontra ‘oceanos azuis’ para proteger o mito e também conquistar o novo consumidor global Por Andreia Gentilini Diretora Tesoureira da ABS-RS Divulgação Domaine Chanson A Borgonha é, hoje, um laboratório vivo de contrastes. Ao mesmo tempo em que preserva o prestígio quase mítico de nomes como Domaine de La Romanée-Conti, Leroy, Armand Rousseau, Roumier ou Leflaive – que seguem dominando leilões internacionais e representando a essência do vinho clássico – a região passa por um movimento silencioso de reinvenção, impulsionado tanto por microprodutores quanto pelo novo consumidor global de vinhos. Os dados do Bureau Interprofessionnel des Vins de Bourgogne (BIVB) ilustram esse paradoxo: embora os volumes exportados oscilem e sigam a tendência global de queda de consumo, o valor exportado da Borgonha cresce, ultrapassando a casa dos €1,6 bilhão. Esse cenário é reforçado por análises internacionais de mercado que mostram uma dinâmica clara: o mundo bebe menos vinho, mas paga mais por garrafas com história, autenticidade e origem. É exatamente aí que a Borgonha, com sua cartografia microscópica de climats, encontra vantagem, mas também pressão para se reinventar. Sob a superfície glamourosa dos grands crus se esconde uma região extremamente fragmentada, onde centenas de AOCs – Bourgogne Rouge, Bourgogne Côte d’Or, Hautes-Côtes, Saint-Aubin, Pernand-Vergelesses, Maranges, Mercurey, Givry ou os múltiplos Mâcon-Villages – sustentam o volume e, cada vez mais, a inovação. O crescimento de denominações periféricas e o reposicionamento do Crémant de Bourgogne mostram como o consumidor jovem encontra valor percebido em propostas que entregam a assinatura borgonhesa – frescor, precisão, pureza aromática – sem a barreira de preço dos ícones. É nesse universo menos óbvio que emergem micro-négociants e vignerons com estética moderna, práticas sustentáveis e discursos transparentes: Chanterêves, Petit-Roy, Camille Thiriet, Julien Altaber, entre tantos outros. Em vez de competir pelo mesmo centímetro quadrado simbólico dos grands crus – um verdadeiro oceano vermelho de escassez, especulação e preços inflacionados – esses produtores criam espaços de valor, alinhados ao que Chan Kim e Renée Mauborgne, professores do Instituto Europei de Administração de Empresas (INSEAD), definem na Estratégia do Oceano Azul como inovação de valor: eliminar atributos pouco relevantes, reduzir custos invisíveis, elevar diferenciações sensíveis ao consumidor e criar novos fatores de competitividade. As pesquisas da Wine Intelligence e estudos apresentados na Vinexpo reforçam que o novo consumidor – especialmente Millennial premium e Geração Z ascendentes – não compra apenas a garrafa: compra propósito, compra narrativa, compra responsabilidade ambiental e compra coerência cultural. Esse público está cada vez menos fidelizado a regiões e cada vez mais atento à autenticidade, à estética, ao posicionamento social e à experiência. A Borgonha, por sua vez, está obrigada a navegar entre a proteção do mito e a construção de novas portas de entrada. E é aqui que entram as lentes estratégicas dos professores do INSEAD. Felipe Monteiro ressalta que a estratégia global não é replicar produtos, mas adaptar narrativas e elevar a relevância cultural sem diluir identidade. Para a Borgonha, isso significa modular discurso e portfólio: nos mercados maduros, reforçar profundidade histórica e terroir; nos emergentes, trabalhar acessibilidade, educação e sustentabilidade. Já Ludo Van der Heyden, referência em governança, lembra que empresas familiares – como a grande maioria dos Domaines borgonheses – só prosperam quando combinam identidade multigeracional com processos de decisão inclusivos. Isso explica por que alguns pequenos Domaines conseguem inovar mais rápido que Maisons de grande porte: o ciclo de decisão é curto, a narrativa é íntima e a história familiar vira ativo competitivo. Montagem com fotos divulgação Se a Borgonha foi construída pelos Negociantes – com Maisons como Drouhin, Jadot, Faiveley, Latour e Bouchard Père & Fils articulando compradores globais e centenas de produtores – o presente exige novas frentes de valor. E é justamente nesse ponto que o oceano azul se expande. A região percebeu que não pode competir apenas pelo prestígio acumulado; precisa conquistar relevância emocional. Projetos como a Cité des Climats et vins de Bourgogne, distribuída em Beaune, Chablis e Mâcon, revelam essa virada: mais do que caves abertas, trata-se de um ecossistema imersivo de educação sensorial, cultura e hospitalidade. É um movimento alinhado ao perfil geracional identificado por IWSC e Wine Intelligence: consumidores que buscam conhecimento, experiências compartilháveis e contato humano com o produtor. Ao mesmo tempo, denominações menos tradicionais exploram sua liberdade regulatória para criar vinhos mais leves, com menor madeira, grau alcoólico moderado, vinificações por parcela e estética contemporânea — uma convergência entre tradição e sensibilidade moderna. Esse movimento se torna ainda mais relevante quando observamos o crescimento explosivo do enoturismo no cenário global. Relatórios internacionais mostram que o turismo do vinho movimentou cerca de US$ 46 bilhões em 2023, com projeções acima de US$ 100 bilhões até 2030 e taxas de crescimento superiores a 12% ao ano — muito acima do crescimento do mercado de vinhos engarrafados. A Organização Mundial do Turismo (UNWTO) classifica o enoturismo como um dos pilares mais dinâmicos do segmento gastronômico, destacando sua capacidade de gerar valor em serviços, hospitalidade, cultura e venda direta. A França é referência: estima-se que receba 12 milhões de enoturistas por ano. Em regiões como Champagne e Bordeaux, châteaux historicamente fechados abriram hotéis, experiências gastronômicas, visitas guiadas sensoriais e clubes privados para capturar esse valor experiencial. Na Borgonha, onde muitos dos domaines mais cultuados continuam não recebendo visitantes, o enoturismo tornou-se um espaço de diferenciação formidável para produtores menores e regiões periféricas: um oceano azul ainda subaproveitado. Tim Durand/Pexels Para a Borgonha, esse ponto é estratégico. Em uma região onde boa parte da reputação foi construída via négociants – um modelo B2B, distante do consumidor final – o enoturismo cria um atalho para um relacionamento direto, emocional e de maior valor ao longo da vida com o cliente. A visita gera memória afetiva, multiplica a disposição a pagar e aumenta a fidelidade. Além disso, permite que domaines pequenos, com pequena produção, criem valor para além da garrafa: gastronomia, hospedagem, experiências culturais, cursos e hospitalidade. Sob a ótica da estratégia do oceano azul, o enoturismo da Borgonha elimina barreiras simbólicas, reduz a dependência do négociant, eleva a densidade de experiência por visitante e cria novas categorias de valor – educação, autenticidade, convivência, cultura – praticamente impossíveis de copiar por regiões que permanecem inacessíveis ou excessivamente focadas no B2B. Em síntese, a Borgonha vive uma encruzilhada criativa: proteger o mito sem se aprisionar nele. Os dados globais mostram que o vinho se desloca da lógica de quantidade para a lógica de significado. E nesse novo mundo, a Borgonha tem uma vantagem, mas também um desafio. A região não pode depender apenas dos seus ícones; precisa transformar sua riqueza de histórias, pessoas e terroirs em experiências vivas. O futuro competitivo da Borgonha não virá apenas das garrafas milionárias, mas da sua capacidade de criar oceanos azuis onde novas gerações possam entrar, aprender, sentir e pertencer. É nesse encontro entre tradição, estratégia e experiência que a Borgonha continuará a ser, simultaneamente, clássica e surpreendentemente nova.

  • Acordo ME-UE entra em vigor e traz impactos para vitivinicultura e sommellerie brasileira

    Especialistas do Brasil e internacionais debaterão os pontos sensíveis do tratado na 6ª Jornada do Sommelier, realizada pela ABS-RS em 14 de maio, durante a Wine South America Por Martha Caus Diretora de Comunicação ABS-RS Os mais de 20 anos de negociação do maior acordo entre blocos comerciais já realizado no mundo dão a dimensão da complexidade desse tratado. Pois amanhã, 1º de maio, inicia a vigência provisória do Acordo Mercosul-União Europeia que prevê a redução de tarifas e facilitação de trâmites alfandegários para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela UE. Nesse pacote está o vinho, tratado com bastante zelo por ser um produto cultural e identitário na Europa, assim como, no Cone Sul, economicamente relevante para países como Argentina. No Brasil, a vitivinicultura ainda é uma atividade fortemente ligada a empreendimentos familiares e de pequeno porte, mas vem se expandindo com o surgimento de novos polos pelo país, com investimentos vultuosos e amparados em tecnologia. Já do ponto de vista comercial, o cenário é de um mercado ainda em desenvolvimento – mas do porte de um país-continente.. Os termos gerais do acordo envolvem números como relações comerciais entre 31 países, um mercado consumidor de 700 milhões de habitantes e 25% do PIB mundial. Como bloco, a União Europeia é o maior investidor no Brasil e o principal parceiro comercial dos países da América do Sul. Fazendo um parêntese de retrospecto histórico, a Abertura dos Portos às Nações Amigas, realizada por Dom João VI em 1808, marcou o fim do Pacto Colonial, permitindo ao Brasil comercializar diretamente com outras nações, principalmente a Inglaterra. Já a abertura de mercado no governo de Fernando Collor de Mello, realizada no início da década de 1990, marcou a transição de um modelo econômico fechado para um mais globalizado ao buscar modernizar a indústria nacional através da concorrência externa. Nos dois casos, os impactos na economia interna brasileira foram significativos. E, apesar de já termos um sistema comercial globalizado, será que estaríamos vivenciando um novo marco no país? De forma mais específica, no que tange o setor vitivinícola, a maior dúvida é se o acordo trará mais benefícios ou prejuízos à cadeia produtiva nacional. E do ponto de vista do mercado e do consumidor, o que essa facilitação tarifária pode resultar? E qual papel ou oportunidades a sommellerie terá nesse contexto? Experts brasileiros e internacionais convidados pela Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS) debatem essas questões cruciais para o setor nos dois painéis da 6ª Jornada do Sommelier, que tem como tema O mercado de vinhos e a sommellerie brasileira diante do acordo entre Mercosul e União Europeia. O evento ocorre no dia 14 de maio, das 9h às 12h30, durante a Wine South America. A feira é realizada nos pavilhões da Fenavinho, em Bento Gonçalves, e os debates acontecem no auditório principal. Para participar da Jornada, que tem vagas limitadas, é necessário ter o ingresso para acesso à Wine South America. Associados da ABS-RS têm desconto de 50% para aquisição da entrada. Para apresentar argumentos e análises sobre questões técnicas e impactos comerciais do acordo, foram convidados Thaíssa Lunelli Rodriges, integrante do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Concex-Fiergs), Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal e Eduardo Piaia, diretor executivo do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). Fazendo a mediação do primeiro painel, estará a presidente da ABS-RS, Caroline Dani. Já debatendo o tema sobre o ponto de vista da sommellerie, os painelistas são Vinicius Santiago, professor da ABS-RS e head sommelier do Grupo Víssimo, Bruno Sias Rodrigues, sommelier da Cellar Vinhos e Melhor Sommelier do RS 2024 e Tamara Tassara, sommelier argentina executiva de Exportações da VinEsence. O diretor de vinho da ABS-RS e vice-presidente da ABS Brasil, Júlio César Kunz coordenará esse segundo momento. Do que se tem discutido até o momento, no escopo do acordo, há um capítulo sobre propriedade intelectual que envolve as indicações geográficas (IGs). O acordo protege termos tradicionais e é particularmente relevante para o setor vitivinícola europeu, que é amparado na valorização territorial e na diferenciação por origem. Mas os regramentos também resguardam as IGs brasileiras reconhecidas, como as regiões vitivinícolas e mesmo outras bebidas brasileiras, como as cachaças regionais. No aspecto tarifário, a oferta do Mercosul prevê desgravação gradual para vinhos, variando, conforme o tipo de produto, entre oito e 12 anos, partindo de alíquotas médias de 20% a 27% até a eliminação total. Para espumantes, há regras diferenciadas conforme o valor aduaneiro, com proteção mais longa para produtos de menor preço. Espera-se que esse cronograma gradual equilibre a abertura comercial e proporcione à indústria local um período de proteção e adaptação concorrencial. De qualquer forma, o acordo incorpora mecanismos de salvaguarda – medida que traz uma memória amarga para os vitivinicultores nacionais – para proteger setores em caso de aumento abrupto das importações. Essas medidas podem incluir suspensão temporária da redução tarifária ou reintrodução parcial de tarifas, mediante investigação que comprove dano à indústria doméstica. O caráter excepcional e temporário dessas salvaguardas demonstra a tentativa de conciliar liberalização comercial com instrumentos de defesa. O setor vitivinícola será diretamente impactado, seja com oportunidades de acesso ao mercado europeu, reconhecimento de origens e redução gradual de tarifas, mas também com necessidade de adaptação regulatória e um esperado aumento da concorrência. O debate proporcionado pela Jornada do Sommelier tem relevância significativa justamente nesse momento, pois, diante de tantos pontos sensíveis, é importantíssimo entender o que os especialistas trazem como perspectiva e análise conjuntural. De posse de informação qualificada, é possível compreender, se organizar, se proteger ou aproveitar por meio de estratégias setoriais ou individuais a nova realidade que está em andamento. Garanta seu lugar na 6ª. Jornada do Sommelier! O mercado de vinhos e a sommellerie brasileira diante do acordo entre Mercosul e União Europeia Painel I: Choque de mercado: os movimentos comerciais esperados no setor do vinho Horário: 9h15 às 10h45 Mediadora: Caroline Dani, presidente ABS-RS Painelistas: - ⁠Thaísa Lunelli Rodrigues, integrante do Concex-Fiergs - ⁠Frederico Falcão, presidente ViniPortugal - Ari Gorenstein, ex-CEO Grupo Víssimo e atual CEO Villa Porto Vinhos - Eduardo Piaia, diretor executivo Consevitis-RS Painel II: Desafios e oportunidades para os sommeliers brasileiros Horário: 11h às 12h30 Mediador: Júlio César Kunz, diretor de vinhos da ABS-RS e vice-presidente ABS Brasil Painelistas: - Vinicius Santiago, professor ABS-RS e head sommelier Grupo Víssimo - Bruno Sias Rodrigues, sommelier Cellar Vinhos, Melhor Sommelier do RS 2024, Melhor Sommelier do Alentejo 2025 - ⁠Tamara Micaela Tassara, Sommelier executiva de Exportações da VinEsence, Argentina Quando: 14 de maio, das 9h às 13h Onde: Fundaparque, no auditório principal da Wine South America, em Bento Gonçalves Quanto: A partir de R$ 500, incluindo o acesso à WSA * Sócios da ABS-RS têm 50% de desconto na aquisição do ingresso Ingressos: nos sites da ABS-RS e da Wine South America (www.absrs.com.br/jornada-sommelier e wsamasterclass.zerofila.com.br/eventos/sala01) Mais Informações: WhatsApp 54.99972.0130

  • O que a queda no consumo de vinho nos Estados Unidos nos ensina

    Insights e provocações dos especialistas presentes no Wivi Central Cost, na Califórnia, expõem a redefinição do papel do vinho na vida contemporânea e sugerem estratégias para acompanhar essa mudança   Por Patrícia Binz, diretora ABS-RS Acervo Patricia Binz  Participar do Wivi Central Coast foi menos sobre acompanhar tendências e mais sobre observar um deslocamento muito claro na forma como o vinho se insere na vida contemporânea. Não se trata apenas de queda de consumo ou mudança geracional — trata-se de uma mudança de mentalidade, de sistema de valores, que está redefinindo o papel do vinho.   Um dos pontos mais provocativos veio da fala de Terry Stanley, jornalista americana especializada em comportamento de consumo e tendências de mercado, ao introduzir o conceito de optimization mode — um comportamento em que o consumidor passa a tratar o próprio corpo como um sistema a ser otimizado, tomando decisões baseadas em performance, longevidade e eficiência biológica. Quando quase 40% da Gen Z e Millennials operam dessa forma, o impacto não é marginal — é estrutural.   Esse movimento se materializa de forma muito concreta: ·   uso crescente de GLP-1 (medicações que reduzem o apetite e impactam o consumo de álcool), já presente em cerca de 12% da população americana ·      consumo orientado por proteína, colágeno e métricas de saúde ·      alimentação e bebidas tratadas como ferramentas funcionais ·      saúde assumindo um papel de status   Nesse contexto, o vinho entra em tensão direta. Ele não é funcional, não é previsível e não responde à lógica de otimização. Ele pertence ao campo do prazer, do ritual e da subjetividade — e talvez o desafio não seja competir com esse novo comportamento, mas entender como coexistir com ele.   Essa tensão aparece de forma complementar na fala de Shilah Salmon, vice-presidente sênior de marketing de marcas de luxo do portfólio da Duckhorn, ao abordar o conceito de less but better (menos porém melhor). Mais do que uma tendência, trata-se de um comportamento consolidado: as pessoas estão bebendo menos, mas com mais intenção e critério.   O “better” hoje está menos ligado à complexidade técnica e mais à coerência com o estilo de vida. Isso muda a lógica da indústria de forma bastante clara: sai o foco em escala e entra a necessidade de precisão. Sai o volume, entra o valor de longo prazo. E, principalmente, deixa de fazer sentido tentar falar com todo mundo. A ideia de “relevance over reach” (relevância acima de alcance) sintetiza bem isso.   Outro ponto importante foi a provocação sobre presença — estar onde as pessoas estão, como Nova York e Miami. Isso desloca o enoturismo de um lugar geográfico para um comportamento. Não é mais apenas sobre destino, mas sobre estar no contexto adequado para a sua marca.   E aqui aparece uma das reflexões mais importantes do evento: fomos nós que ensinamos que vinho era para ocasiões especiais. Hoje, essa narrativa limita o consumo cotidiano e abre espaço para substituições mais simples e mais integradas à rotina.   Na fala da Jess Druey, fundadora da Whiny Baby e consultora de inovação na Gallo, surge uma das leituras mais diretas sobre a desconexão entre indústria e consumidor. A partir da experiência de quem não entendia nada sobre vinho, ela evidência algo fundamental: o consumidor não se sente confortável ao se relacionar com a bebida e com os entendedores. Não por falta de interesse, mas por excesso de barreira:   ·      o vinho pressupõe conhecimento prévio ·      a linguagem técnica cria distância ·      a experiência pode gerar insegurança   A mudança proposta é simples, mas profunda: não se trata de explicar melhor o vinho, mas de redesenhar a experiência. Nem todos querem se tornar entendedores do vinho.    Isso significa reduzir fricção, permitir escolhas sem julgamento e criar conexões mais imediatas. Ao mesmo tempo, há uma busca crescente por pertencimento, por comunidade e por experiências tangíveis — especialmente em um contexto de fadiga digital.   A análise de Eric Asimov, principal crítico de vinhos do The New York Times, amplia esse cenário ao evidenciar uma polarização no consumo. De um lado, um público fiel ao vinho; de outro, um consumidor altamente aberto à substituição.   Esse segundo grupo decide de forma pragmática — por aroma, preço e facilidade — colocando o vinho em concorrência direta com seltzers (bebidas leves e aromatizadas) e coquetéis. Há também uma questão importante de percepção: cerca de 35% das pessoas acreditam que vinho tem mais açúcar que outras bebidas. Soma-se a isso o fato de que o preço já não garante valor percebido, e temos um cenário onde a lógica tradicional deixa de funcionar.   Talvez por isso a educação formal do vinho esteja perdendo eficiência. O consumidor não quer necessariamente aprender — quer se sentir incluído. E isso se conecta com uma provocação muito clara: precisamos de mais vinhos para dias normais, não apenas vinhos icônicos.   Wine Clubs como plataformas de relacionamento   Essa mudança de lógica aparece de forma muito evidente nas discussões sobre DTC (Direct-to-Consumer, venda direta ao consumidor), especialmente nos modelos de Wine Clubs (clubes de assinatura de vinhos). Para as vinícolas americanas, o wine club deixa de ser apenas um canal de venda e passa a ser uma plataforma de relacionamento.   Os dados apresentados mostram um movimento consistente: ·      contato humano (ligações) pode dobrar vendas ·      cerca de 10% dos cancelamentos retornam com interação direta ·  clubes mantêm ou reduzem volume, mas aumentam valor e engajamento   Mas o ponto mais relevante não está apenas nos números — está na estrutura. Flexibilidade se torna central. Permitir pausar, pular ou ajustar envios aumenta conversão não necessariamente porque o consumidor usa essas opções, mas porque ele sabe que pode usar. A percepção de controle passa a ser mais importante do que a obrigatoriedade. Isso se conecta diretamente com o comportamento da Gen Z, que valoriza autonomia e rejeita modelos rígidos.   Além disso, há uma mudança importante na construção desses clubes: eles passam a ser estruturados a partir da experiência de tasting (degustação), e não apenas do produto. A relação começa na experiência e se desenvolve a partir dela, com uso de dados e personalização contínua.   Por fim, uma mesa para degustação guiada por meio de uma discussão sobre agricultura regenerativa foi iniciada, com pontos levantados por Jordon Lonborg, consultor em agricultura regenerativa, adiciona uma camada importante ao debate. Não se trata mais apenas de sustentabilidade como discurso, mas de regeneração como sistema. Ou seja, práticas agrícolas passam a influenciar diretamente a experiência do consumidor, abrindo espaço para narrativas mais consistentes e menos superficiais.   Ao integrar todas essas discussões, o que fica evidente é que o vinho não está sendo rejeitado — ele está sendo reinterpretado. E isso tem implicações diretas para o desenvolvimento de produtos, vendas e enoturismo.   Relevância do enoturismo   Se o consumidor busca controle, bem-estar e experiências com significado, o vinho e tudo o que o envolve, deixa de ser apenas consumo, degustação ou visita, e passa a ocupar um espaço muito mais estratégico: ·      como ponto de reconexão emocional  ·      como experiência que equilibra prazer e consciência ·      como meio social ·      o enoturismo como ambiente de aprendizado leve, sem pressão ·      o enoturismo como espaço de convivência (família, amigos, diferentes gerações)   Ao mesmo tempo, surgem algumas provocações importantes: o enoturismo está sendo desenhado para o consumidor de hoje — ou para o consumidor de 15 anos atrás?   Porque, dentro desse novo contexto, experiências mais relevantes tendem a ser aquelas que: ·      reduzem a sensação de intimidação ·      integram o vinho ao lifestyle (e não apenas a momentos especiais) ·      criam memórias tangíveis e compartilháveis ·      permitem liberdade de escolha, em vez de roteiros engessados   Talvez o maior papel dos produtores e suas equipes agora seja exatamente esse: traduzir o vinho para a vida contemporânea. Não como algo que exige conhecimento, mas como algo que pode ser vivido.   O que o Brasil tem a aprender?   Ao olhar para esse cenário a partir do Brasil, a leitura se torna ainda mais interessante. Diferente dos Estados Unidos, o consumo de vinho por aqui ainda não entrou em uma queda estrutural — pelo contrário, vem se expandindo e ganhando relevância nos últimos anos. Mas isso não significa que estamos em um caminho completamente distinto.   Em muitos aspectos, ainda estamos em um estágio anterior de maturidade de mercado. E é justamente por isso que o que acontece hoje nos Estados Unidos merece atenção — não como uma previsão inevitável, mas como um possível desdobramento de comportamento.   Para o vinho brasileiro e para o enoturismo, isso abre uma oportunidade estratégica clara: não esperar a desaceleração para reagir, mas antecipar esse movimento, redesenhando experiências, reduzindo barreiras e aproximando o vinho do cotidiano. Se o Brasil ainda cresce, talvez seja exatamente o momento de evoluir o modelo — talvez seja bom aprendermos sem precisar cair antes.

  • Experts da ABS-RS realizam workshop gratuito sobre espumantes

    Cecilia O. Tommasini/Pexels Com duração de três dias e emissão de certificado, conteúdo abordará aspectos produtivos e estratégias de mercado para imergir na categoria que mais cresce em consumo e que se tornou o cartão de visita da produção brasileira O lendário Steven Spurrier, especialista britânico que na década de 70 redefiniu o mapa global da produção de vinho declarou em passagem pelo país que “os brasileiros não precisam beber Champagne, pois já tem o seu próprio espumante”, chancelando a qualidade e a liderança da produção nacional e dando seu aval ao nosso cartão de visitas no cenário internacional.  Pois o estilo de vinho que mais cresce em consumo no planeta conta no Brasil com um público fiel. Os espumantes têm preferência nacional, seja por oferecer um consumo mais descontraído ou pela alta qualidade da produção local. Entretanto, para entender este fenômeno, não basta olhar para dentro. O sucesso das borbulhas no mercado doméstico se inspira em alguns dos rótulos mais cultuados no mundo. Para desvendar esse movimento, a seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) realiza, entre os dias 27 e 29 de abril , o Workshop Rota das Borbulhas, com aulas online transmitidas pelo YouTube. O evento será gratuito e voltado a todos os que desejam entender com profundidade as referências do que há em suas taças ou traçar estratégias de negócios envolvendo os espumantes.  As aulas estarão sob o comando dos experts Vinicius Santiago, Andreia Gentilini e Caroline Dani , docentes da ABS-RS com vasta experiência tanto da parte produtiva como dos aspectos mercadológicos de vinhos e espumantes, com atuação no mercado interno e internacional. Organizado em três encontros de duração aproximada de uma hora cada, o workshop terá abordagens diferentes em cada etapa para melhor compreensão desse símbolo de celebração e elegância.  A primeira aula será aberta ao público , e as subsequentes serão liberadas apenas aos participantes inscritos no curso. As vagas são limitadas e o cadastro deve ser feito no site da ABS-RS , com emissão de certificado digital para os alunos matriculados. SERVIÇO: WORKSHOP ROTA DAS BORBULHAS Quando:  dias 27, 28 e 29 de abril Horário:  das 19h às 20h Formato:  online, pelo canal da ABS-RS no Youtube Inscrições:  gratuitas, porém com matrícula obrigatória para acesso a todo o curso pelo site da ABS-RS, aqui. Informações : (54) 9972.0130 Programação 27 de abril - Degustação, serviço, mercado e a arte da escolha certa  Professor: Vinícius Santiago Um panorama da categoria abordando os fundamentos dos espumantes com guia para compreensão das opções mais adequadas de taças aos estilos com maior apelo atualmente no mercado.  28 de abril - Padrão ouro: o que Champagne faz pra se manter no topo  Professora: Andreia Gentilini Referência máxima de qualidade no segmento desde o Século 18, Champagne tem diferenciais que vão muito além do terroir. Um encontro para entender as estratégias que tornam essas borbulhas tão únicas e o que podemos aprender com elas. 29 de abril - Espumantes italianos: segredos do maior produtor mundial Professora:  Caroline Dani A diversidade é um dos trunfos dos espumantes italianos. O país abriga ícones de qualidade ao mesmo tempo em que é conhecido por bebidas amigáveis e acessíveis. Nesta aula, desbrave o catálogo de borbulhas da Itália e aprenda como cada um se posiciona no mercado.

  • Alemanha muda classificação de vinhos a partir de 2026

    Mudança inicia com vinhos da safra deste ano e reforça a importância da origem como critério de qualidade e se alinha ao modelo europeu Foto Martha Caus   Por Etienne Carvalho, https://vinhosporetienne.com.br/destaquesdoblog/alemanha-muda-classificacao-de-vinhos-a-partir-de-2026/   A Alemanha passará a adotar, a partir da safra de 2026, uma nova legislação para a classificação de vinhos, colocando a origem geográfica como eixo central do sistema. A mudança aproxima o país do modelo europeu baseado nas categorias de Indicação Geográfica Protegida (IGP) e Denominação de Origem Protegida (DOP), mas não elimina a complexidade já conhecida do vinho alemão.   Pelas novas regras, quanto mais específica for a origem indicada no rótulo, maior será o nível de exigência na produção. Nesse contexto, os vinhos classificados como Qualitätswein, que representam grande parte da produção do país, passam a integrar a categoria DOP.   A nova legislação também estabelece uma hierarquia baseada na origem. Os Qualitätswein passam a ser organizados em níveis que vão de Anbaugebiet, que representa uma região ampla, até Lagenwein, destinado a vinhos de vinhedos específicos, passando ainda por categorias intermediárias como Region e Ortswein. Uma mudança importante é a retirada da categoria Grosslage, frequentemente associada à falta de clareza, substituída pela designação “Region”.   Nos vinhos de maior especificidade, a classificação passa a incluir os termos Einzellage, Erste Gewächs (1G) e Grosses Gewächs (GG). Tradicionalmente ligados à associação privada VDP, esses termos passam agora a integrar o sistema oficial, ampliando seu uso no mercado.   Os vinhos classificados como 1G e GG deverão seguir critérios mais rigorosos, como colheita manual, estilo seco, controle de rendimento, teor alcoólico mínimo e tempo mínimo de envelhecimento. Além disso, essas categorias não poderão ser associadas às classificações de Prädikat, como Kabinett e Spätlese, que continuam existindo, mas fora desse nível da hierarquia.   Outro ponto relevante é o fortalecimento das Schutzgemeinschaften, associações regionais que passam a ter maior autonomia para definir regras adicionais dentro de suas áreas. Na prática, parte das decisões deixa de ser centralizada e passa a ter maior influência regional.   A incorporação dos termos 1G e GG ao sistema oficial, no entanto, já gera debate no setor. Há preocupações de que, fora do controle mais rígido da VDP, essas designações possam perder parte de seu prestígio.   Com a mudança, a Alemanha reforça a importância da origem como critério de qualidade e se alinha ao modelo europeu. Ainda assim, a leitura dos rótulos segue exigindo atenção, mantendo a reputação do país como um dos sistemas mais complexos, e ao mesmo tempo mais fascinantes, do mundo do vinho.

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