A Itália, país da beleza — e o caminho para compreender suas uvas
- Júlio César Kunz
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Resultado de encontros civilizatórios, cada casta italiana carrega uma narrativa milenar. O conhecimento profundo amplia a apreciação dos vinhos e a capacidade de comunicá-los com precisão e respeito
Nataliya Melnychuk / Unsplash

Por Júlio César Kunz
Diretor da ABS-RS e vice-presidente da ABS Brasil
A Itália é um país onde a beleza parece uma matéria-prima inesgotável. Beleza na arquitetura que molda a alma de suas cidades: a monumental Piazza dell’Unità d’Italia, em Trieste — a maior praça italiana aberta para o mar; a Basilica de São Marcos em Veneza, com seus mosaicos dourados; a luminosidade elegante da Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão; e, claro, o Coliseu, que permanece de pé como uma declaração de permanência.
Beleza também na arte que permeia cada século de sua história — especialmente no Renascimento florentino, que redefiniu o olhar do Ocidente —, na música que ecoa das praças às grandes óperas, na poesia que moldou o pensamento europeu, na moda que inspira o mundo, e nos vinhos que completam a mesa italiana como parte de sua própria identidade cultural.
Não é difícil se apaixonar pela Itália, por sua gastronomia e pelo vínculo íntimo que ela estabelece com o vinho. Mas por trás dessa paixão imediata existe uma profundidade que somente o estudo rigoroso revela — e é justamente esse o caminho que se abre para quem se empenha em compreender verdadeiramente o vinho italiano.
Da admiração ao conhecimento profundo
Como Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, aprendi que não basta degustar vinhos, caminhar entre colinas e montanhas, ou cultivar amizades com produtores — ainda que isso seja sempre prazeroso e enriquecedor. Para entender a Itália em toda a sua complexidade, é preciso estudar. E estudar muito.
Essa é, aliás, a grande lição do professor Attilio Scienza, o mais influente pesquisador de viticultura da Itália contemporânea. Em suas obras, Scienza demonstra que compreender o vinho italiano exige um mergulho profundo em história, mitologia, arqueologia, botânica e genética.
A Itália foi forjada na confluência de todas as influências possíveis: grega, púnica, etrusca, ibérica, romana e franco-borgonhesa. Suas uvas são resultado desse encontro civilizatório, e cada casta carrega consigo uma narrativa milenar que só se revela com estudo atento.
Tucker Monticelli / Unsplash

O estudo das uvas é o estudo da própria Itália
O primeiro passo é simples apenas na aparência: saber quais uvas estão em quais regiões, articulando esse conhecimento com: clima e altitudes, características de adaptação, práticas vitícolas tradicionais e perfis sensoriais associados a cada território.
Mas esse é apenas o começo. Para compreender, de fato, o vinho italiano, é preciso dar o passo seguinte: associar geologia à genética. E aí a beleza se torna um labirinto fascinante.
A geologia explica a expressão. A genética explica a identidade. E a história explica o porquê.
Sem entender a rica mitologia que envolve as antigas variedades — como Vênus, Baco, as ninfas, os heróis fundadores —, perde-se metade do significado simbólico que moldou o modo italiano de se relacionar com a videira.
E quando finalmente acreditamos estar começando a compreender, chega o momento de lidar com o verdadeiro desafio:
sinônimos para a mesma uva
famílias varietais
biotipos regionais
clones
adaptações microclimáticas
cruzamentos naturais ao longo de séculos
O que parecia simples revela-se um universo.
Quando a genética esclarece e nasce a compreensão verdadeira
É então que a genética — para usar uma imagem recorrente de Scienza — funciona como uma “lanterna na neblina”. De repente, tudo aquilo que parecia desconexo começa a ganhar sentido: a razão pela qual o Sangiovese assume inúmeras faces, a conexão entre Glera, Prosecco Tondo e as variedades de origem eslovena, a árvore genealógica que liga Nebbiolo, Freisa e Vespolina, as relações mediterrâneas profundíssimas entre variedades do sul, muitas de origem grega ou fenícia e o papel dos Alpes como refúgio e origem de cruzamentos naturais.
Nessa hora, aquela paixão inicial e superficial pela Itália transforma-se em algo maior: um conhecimento profundo, sólido, que amplia a capacidade de apreciação dos seus vinhos e, sobretudo, a capacidade de comunicá-los com precisão, respeito e verdade.
O estudo não diminui a paixão: ele a intensifica. E quanto mais se estuda a Itália, mais ela revela sua grandeza.
Vinhos e Vinhas da Itália terá segunda edição em julho

Descubra a Itália e aprofunde seus conhecimentos com o curso Vinhas e Vinhos da Itália, uma experiência única promovida pela seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS).
Em sua segunda edição – em 2025 as vagas se esgotaram rapidamente – o curso proporciona uma verdadeira viagem ao coração da viticultura italiana, explorando a diversidade e a tradição de suas uvas autóctones e regiões emblemáticas.
Com aulas gravadas e uma imersão presencial exclusiva, realizada no dia 18 de julho, em Bento Gonçalves, os participantes terão a oportunidade de degustar 20 vinhos italianos icônicos, harmonizados com pratos típicos, em uma experiência sensorial inesquecível.
O conteúdo foi cuidadosamente elaborado para sommeliers, estudantes de enologia, profissionais da gastronomia e entusiastas do vinho e da cultura italiana, promovendo aprendizado técnico e vivências culturais.
As aulas serão conduzidas por um time de especialistas reconhecidos internacionalmente, todos com certificação Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, garantindo uma abordagem didática, aprofundada e atual sobre o universo dos vinhos italianos.
O curso tem vagas limitadas, por isso não perca essa oportunidade. Inscreva-se agora!
PROGRAME-SE:
Curso Vinhas e Vinhos da Itália
- Professores com certificação Italian Wine Ambassador, pela Vinitaly International Academy
- Formato híbrido: aulas gravadas online + imersão presencial
- Foco nas castas autóctones da itália
- Conexão entre história, tradição e excelência vinícola
Início: aulas online disponibilizadas em julho
Imersão presencial: 18 de julho, das 8h30 às 17h30
Local do encontro presencial: Sede da ABS-RS, em Bento Gonçalves
Aula, degustações e almoço harmonizado inclusos no curso
Professores:
- Júlio César Kunz: Italian Wine Ambassador
- Vinícius Santiago: Italian Wine Ambassador
- Caroline Dani: representante do Brasil na OIV e presidente da ABS-RS
Inscrições e mais informações: aqui ou pelo WhatsApp (54) 99972.0130








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