Acordo ME-UE entra em vigor e traz impactos para vitivinicultura e sommellerie brasileira
- Martha Caus

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Especialistas do Brasil e internacionais debaterão os pontos sensíveis do tratado na 6ª Jornada do Sommelier, realizada pela ABS-RS em 14 de maio, durante a Wine South America
Por Martha Caus
Diretora de Comunicação ABS-RS

Os mais de 20 anos de negociação do maior acordo entre blocos comerciais já realizado no mundo dão a dimensão da complexidade desse tratado. Pois amanhã, 1º de maio, inicia a vigência provisória do Acordo Mercosul-União Europeia que prevê a redução de tarifas e facilitação de trâmites alfandegários para 91% dos produtos importados pelo Mercosul e 95% dos produtos importados pela UE.
Nesse pacote está o vinho, tratado com bastante zelo por ser um produto cultural e identitário na Europa, assim como, no Cone Sul, economicamente relevante para países como Argentina. No Brasil, a vitivinicultura ainda é uma atividade fortemente ligada a empreendimentos familiares e de pequeno porte, mas vem se expandindo com o surgimento de novos polos pelo país, com investimentos vultuosos e amparados em tecnologia. Já do ponto de vista comercial, o cenário é de um mercado ainda em desenvolvimento – mas do porte de um país-continente..
Os termos gerais do acordo envolvem números como relações comerciais entre 31 países, um mercado consumidor de 700 milhões de habitantes e 25% do PIB mundial. Como bloco, a União Europeia é o maior investidor no Brasil e o principal parceiro comercial dos países da América do Sul.
Fazendo um parêntese de retrospecto histórico, a Abertura dos Portos às Nações Amigas, realizada por Dom João VI em 1808, marcou o fim do Pacto Colonial, permitindo ao Brasil comercializar diretamente com outras nações, principalmente a Inglaterra. Já a abertura de mercado no governo de Fernando Collor de Mello, realizada no início da década de 1990, marcou a transição de um modelo econômico fechado para um mais globalizado ao buscar modernizar a indústria nacional através da concorrência externa. Nos dois casos, os impactos na economia interna brasileira foram significativos. E, apesar de já termos um sistema comercial globalizado, será que estaríamos vivenciando um novo marco no país?
De forma mais específica, no que tange o setor vitivinícola, a maior dúvida é se o acordo trará mais benefícios ou prejuízos à cadeia produtiva nacional. E do ponto de vista do mercado e do consumidor, o que essa facilitação tarifária pode resultar? E qual papel ou oportunidades a sommellerie terá nesse contexto?
Experts brasileiros e internacionais convidados pela Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS) debatem essas questões cruciais para o setor nos dois painéis da 6ª Jornada do Sommelier, que tem como tema O mercado de vinhos e a sommellerie brasileira diante do acordo entre Mercosul e União Europeia. O evento ocorre no dia 14 de maio, das 9h às 12h30, durante a Wine South America. A feira é realizada nos pavilhões da Fenavinho, em Bento Gonçalves, e os debates acontecem no auditório principal. Para participar da Jornada, que tem vagas limitadas, é necessário ter o ingresso para acesso à Wine South America. Associados da ABS-RS têm desconto de 50% para aquisição da entrada.
Para apresentar argumentos e análises sobre questões técnicas e impactos comerciais do acordo, foram convidados Thaíssa Lunelli Rodriges, integrante do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Concex-Fiergs), Frederico Falcão, presidente da ViniPortugal e Eduardo Piaia, diretor executivo do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS). Fazendo a mediação do primeiro painel, estará a presidente da ABS-RS, Caroline Dani.
Já debatendo o tema sobre o ponto de vista da sommellerie, os painelistas são Vinicius Santiago, professor da ABS-RS e head sommelier do Grupo Víssimo, Bruno Sias Rodrigues, sommelier da Cellar Vinhos e Melhor Sommelier do RS 2024 e Tamara Tassara, sommelier argentina executiva de Exportações da VinEsence. O diretor de vinho da ABS-RS e vice-presidente da ABS Brasil, Júlio César Kunz coordenará esse segundo momento.
Do que se tem discutido até o momento, no escopo do acordo, há um capítulo sobre propriedade intelectual que envolve as indicações geográficas (IGs). O acordo protege termos tradicionais e é particularmente relevante para o setor vitivinícola europeu, que é amparado na valorização territorial e na diferenciação por origem. Mas os regramentos também resguardam as IGs brasileiras reconhecidas, como as regiões vitivinícolas e mesmo outras bebidas brasileiras, como as cachaças regionais.
No aspecto tarifário, a oferta do Mercosul prevê desgravação gradual para vinhos, variando, conforme o tipo de produto, entre oito e 12 anos, partindo de alíquotas médias de 20% a 27% até a eliminação total. Para espumantes, há regras diferenciadas conforme o valor aduaneiro, com proteção mais longa para produtos de menor preço. Espera-se que esse cronograma gradual equilibre a abertura comercial e proporcione à indústria local um período de proteção e adaptação concorrencial.
De qualquer forma, o acordo incorpora mecanismos de salvaguarda – medida que traz uma memória amarga para os vitivinicultores nacionais – para proteger setores em caso de aumento abrupto das importações. Essas medidas podem incluir suspensão temporária da redução tarifária ou reintrodução parcial de tarifas, mediante investigação que comprove dano à indústria doméstica. O caráter excepcional e temporário dessas salvaguardas demonstra a tentativa de conciliar liberalização comercial com instrumentos de defesa.
O setor vitivinícola será diretamente impactado, seja com oportunidades de acesso ao mercado europeu, reconhecimento de origens e redução gradual de tarifas, mas também com necessidade de adaptação regulatória e um esperado aumento da concorrência. O debate proporcionado pela Jornada do Sommelier tem relevância significativa justamente nesse momento, pois, diante de tantos pontos sensíveis, é importantíssimo entender o que os especialistas trazem como perspectiva e análise conjuntural. De posse de informação qualificada, é possível compreender, se organizar, se proteger ou aproveitar por meio de estratégias setoriais ou individuais a nova realidade que está em andamento.
Garanta seu lugar na 6ª. Jornada do Sommelier!
O mercado de vinhos e a sommellerie brasileira diante do acordo entre Mercosul e União Europeia
Painel I: Choque de mercado: os movimentos comerciais esperados no setor do vinho

Horário: 9h15 às 10h45
Mediadora: Caroline Dani, presidente ABS-RS
Painelistas:
- Thaísa Lunelli Rodrigues, integrante do Concex-Fiergs
- Frederico Falcão, presidente ViniPortugal
- Ari Gorenstein, ex-CEO Grupo Víssimo e atual CEO Villa Porto Vinhos
- Eduardo Piaia, diretor executivo Consevitis-RS
Painel II: Desafios e oportunidades para os sommeliers brasileiros

Horário: 11h às 12h30
Mediador: Júlio César Kunz, diretor de vinhos da ABS-RS e vice-presidente ABS Brasil
Painelistas:
- Vinicius Santiago, professor ABS-RS e head sommelier Grupo Víssimo
- Bruno Sias Rodrigues, sommelier Cellar Vinhos, Melhor Sommelier do RS 2024, Melhor Sommelier do Alentejo 2025
- Tamara Micaela Tassara, Sommelier executiva de Exportações da VinEsence, Argentina
Quando: 14 de maio, das 9h às 13h
Onde: Fundaparque, no auditório principal da Wine South America, em Bento Gonçalves
Quanto: A partir de R$ 500, incluindo o acesso à WSA
* Sócios da ABS-RS têm 50% de desconto na aquisição do ingresso
Ingressos: nos sites da ABS-RS e da Wine South America (www.absrs.com.br/jornada-sommelier e wsamasterclass.zerofila.com.br/eventos/sala01)
Mais Informações: WhatsApp 54.99972.0130








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