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- ABS-RS celebra a Semana do Sommelier atividades online e presenciais
Programação envolve masterclasses sobre mixologia e com vinhos premiados no Brazil Wine Challenge Drew Beamer / Unsplash No próximo dia 29 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional do Sommelier, uma data dedicada aos profissionais que atuam como importantes mediadores entre o vinho, sua história, seus territórios e os consumidores. Mais do que especialistas em serviço, os sommeliers desempenham um papel fundamental na educação do público, na valorização da produção vitivinícola e na promoção da cultura do vinho em todo o país. Para marcar a ocasião, a Associação Brasileira de Sommeliers - ABS Brasil em parceira com as unidades estaduais realizarão uma série de atividades comemorativas reunindo atividades de capacitação, atualização profissional e integração entre os apaixonados pelo universo das bebidas. A largada ocorre hoje com uma Masterclass Nacional online sobre um tema que vem ganhando cada vez mais relevância no cenário da hospitalidade e da mixologia contemporânea: “A Evolução do Bitter e seu papel na coquetelaria”. Aqui no Rio Grande do Sul, a ABS-RS irá concretizar as informações da masterclass online, realizando na sequência, uma degustação presencial com duas modalidades do bitter da Brasilberg, produtora do Underberg e parceiro da ação e com a Vinícola Petronius, com a apresentação do vermuth, limoncello e cachaça. A masterclass online será transmitida pelo Youtube da ABS Brasil e, a presencial, ocorrerá na Boccati Vinhos, em Caxias do Sul, com condução da presidente da ABS-RS, Caroline Dani e presença do proprietário da Petronius, Emílio Kunz Os participantes terão a oportunidade de compreender a origem dos bitters, suas características sensoriais, suas diferentes aplicações e a contribuição que oferecem para experiências cada vez mais sofisticadas e complexas na coquetelaria. A outra ação que integra às comemorações da seccional gaúcha ocorrerá na quinta-feira, dia 27, com uma super Masterclass com a degustação de mais de 20 rótulos classificados como Gran Ouro no Brazil Wine Challenge, o maior concurso de vinhos do país, realizado pela Associação Brasileira de Enologia (ABE) que tem chancela da Organização Mundial da Vinha e do Vinho (OIV). A Masterclass será realizada no Centro da Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Bento Gonçalves, a partir das 19h. As vagas estão esgotadas, mas será possível acompanhar registros da atividade pelas redes sociais da ABS-RS. "As celebrações do Dia Nacional do Sommelier representam, acima de tudo, um reconhecimento à dedicação daqueles que transformam conhecimento técnico em experiências memoráveis", observa Caroline Dani. "Em um mercado em constante evolução, o sommelier segue ampliando sua atuação em restaurantes, vinícolas, importadoras, lojas especializadas, eventos e atividades educacionais, consolidando-se como um profissional essencial para o desenvolvimento da cultura do vinho e das bebidas no Brasil". AGENDE-SE! Masterclass online “A Evolução do Bitter e seu papel na coquetelaria”. Quando: hoje, 24 de agosto, às 19h30 Onde: Transmissão ao vivo pelo canal da ABS Brasil no YouTube Inscrições: gratuito, sem necessidade de cadastro Etapa presencial Quando: hoje, 24 de agosto, às 19h30 – acompanharemos a aula online e em seguida fazermos as degustações orientadas Onde: Boccati Vinhos, em Caxias do Sul (R. Antônio Ribeiro Mendes, 2043) Inscrições (últimas vagas): no link do site da ABS-RS Quanto: Sócio ABS-RS: R$ 50,00 Não-sócios ABS-RS: R$ 100,00 Masterclass Gran Ouro Brazil Wine Challenge Quando: 27 de agosto, quinta-feira, às 19h Local: CIC Bento Gonçalves Inscrições esgotadas!
- Terroir em foco: a qualidade das uvas e os desafios da vitivinicultura
Integração entre pesquisa e prática se mostra indispensável para unir a ciência com a produção de excelência Por Caroline Dani Presidente e professora da ABS-RS fotos Martha Caus A expressão do terroir no vinho é um dos temas mais fascinantes da enologia — e também um dos mais complexos. Um estudo recente publicado na revista Scientia Horticulturae, sob o título Climate, soil, and viticultural factors differentially affect the sub-regional variations in biochemical compositions of grape berries, de um grupo do Department of Horticulture, Agricultural College, Shihezi, na China, aprofunda essa discussão ao analisar como fatores climáticos, características do solo e práticas de manejo influenciam diretamente a composição das uvas e, consequentemente, a qualidade dos vinhos. A pesquisa avaliou duas variedades clássicas de Vitis vinifera, Cabernet Sauvignon e Merlot, em diferentes sub-regiões vitivinícolas, ao longo de duas safras distintas. O objetivo foi compreender como as variações ambientais moldam os compostos bioquímicos das uvas — especialmente aqueles ligados à cor, estrutura e potencial sensorial dos vinhos. Um dos principais achados do estudo foi o papel central das antocianinas. Esses compostos fenólicos, responsáveis pela coloração dos vinhos tintos, mostraram-se altamente sensíveis às condições ambientais. Em safras mais frescas, observou-se maior concentração de antocianinas e ácidos orgânicos, indicando um potencial qualitativo elevado. Já em anos mais quentes, houve tendência de aumento nos açúcares, mas com redução desses compostos estruturantes. Outro ponto relevante é a influência do clima ao longo do ciclo vegetativo. Temperaturas elevadas, especialmente durante a maturação, podem reduzir a síntese de antocianinas, enquanto uma maior amplitude térmica diária favorece sua formação. Esse equilíbrio entre calor e variação térmica é determinante para a expressão de cor e complexidade nos vinhos. O solo também desempenha um papel fundamental. Nutrientes como fósforo e potássio, além da textura e profundidade do solo, impactam diretamente o desenvolvimento da videira e a composição das uvas. O estudo destaca, por exemplo, que níveis elevados de potássio podem ter efeito negativo sobre a concentração de antocianinas, evidenciando a importância do manejo nutricional equilibrado. Entre os fatores analisados, o estado hídrico da videira se destacou como um dos mais importantes. Utilizando a análise de isótopos de carbono (δ¹³C), os pesquisadores conseguiram estimar o nível de estresse hídrico das plantas. Os resultados indicam que um estresse hídrico moderado pode favorecer a concentração de compostos fenólicos, enquanto condições extremas são prejudiciais à qualidade e à produtividade. Além dos fatores naturais, o estudo reforça o impacto das práticas vitícolas. Elementos como sistema de condução, densidade de plantio e manejo do dossel influenciam o microclima da planta e sua eficiência fisiológica. Essas decisões de manejo podem, inclusive, modular o efeito do clima e do solo, tornando-se ferramentas estratégicas para o viticultor. Para o contexto brasileiro — e especialmente para o Rio Grande do Sul — os resultados trazem reflexões importantes. A diversidade de terroirs e a variabilidade climática entre safras exigem uma viticultura cada vez mais adaptativa e baseada em conhecimento científico. Entender como cada fator interfere na qualidade da uva é essencial para produzir vinhos com identidade, equilíbrio e consistência.a Mais do que nunca, a integração entre pesquisa e prática se mostra indispensável. Ao traduzir dados científicos em decisões no campo, produtores podem explorar melhor o potencial de seus vinhedos e responder de forma mais eficiente aos desafios impostos pelo clima e pelo mercado. No fim, o estudo reforça uma ideia já conhecida, mas agora com ainda mais embasamento: o vinho é, acima de tudo, a expressão do lugar — e compreender esse lugar é o primeiro passo para produzir com excelência.
- Corte da edição 2026 do Chimas é definido
Grupo de enólogos e sommeliers se reuniu nesta terça-feira, na sede da ABS-RS, para elaboração do corte do vinho icônico que será leiloado ao final do ano fotos Martha Caus Esse ano o Projeto Chimas chega à 5ª edição, mantendo o trabalho de desenvolvimento de um produto icônico e representativo do setor vitivinícola gaúcho. O projeto foi idealizado e coordenado pela Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS-RS), mas é possível graças à união e à contribuição de muitas mãos, para apoiar causas sociais e auxiliar na oferta de dignidade a muitas vidas. O pontapé inicial do projeto esse ano ocorreu na tarde de terça-feira (14/07), na sede da ABS-RS, em Bento Gonçalves, com a definição do corte do quinto vinho dessa ação solidária. Enquanto um escritório de design planeja novidades para o rótulo, dez representantes de vinícolas, além de sete sommeliers que compõem a diretoria e do quadro de professores da entidade, montavam um quebra-cabeças. O grupo debatia sobre como criar um exemplar a partir da união das amostras cuidadosamente selecionadas junto às suas empresas. Somadas, elas deveriam harmonizar as qualidades individuais para compor a edição 2026 do Projeto Chimas. Montagem do blend foi conduzida pelo enólogo Cristian Bernardi na sede da ABS-RS Para balizar o perfil sensorial com as edições anteriores, o grupo degustou os cortes 3 e 4 do Chimas, apresentados em 2024 e 2025. A primeira avaliação – já esperada pelo grupo – validou a percepção geral de excelência e de como seguem evoluindo maravilhosamente bem em garrafa. “Constatamos que o trabalho desenvolvido vem atingindo um de seus propósitos, que é oferecer um produto icônico, irreplicável, de alta qualidade e que entrega a qualidade e o potencial de longevidade dos grandes vinhos elaborados nos terroirs gaúchos”, observa o diretor de vinhos da ABS-RS, Júlio César Kunz. Na sequência, os enólogos e representantes das vinícolas participantes apresentaram suas amostras contextualizando dados como safra, variedade, terroir, amadurecimento, teor alcóolico, perfil aromático e outras características. Assim como em 2025, a coordenação do trabalho de montagem foi realizada pelo experiente Cristian Bernardi, enólogo-chefe da Vinícola Aurora. Levando em conta ser impossível replicar um produto que é, por essência, único em sua identidade, das três opções de assemblage propostas, optou-se pela que mais se aproximou do perfil de estrutura, cor, textura tânica, complexidade aromática e potencial de guarda da família Chimas. “O resultado ressalta, a cada ano, a expertise do trabalho vitivinícola desenvolvido pelos profissionais apaixonados por vinho e que compartilham também o amor pelo bem fazer e pelo Rio Grande do Sul”, comemora a presidente da ABS-RS, Caroline Dani. Enólogos e Sommeliers participantes da montagem do corte da edição 2026 do Projeto Chimas
- A Evolução do Barolo e do Barbaresco desde a DOCG
Acompanhe a jornada de desenvolvimento da região a partir de 1980, analisando os principais marcos sob o viés dos vinhedos, das vinícolas e do mercado Por Vinícius Santiago Professor da ABS-RS Poucas regiões vinícolas no mundo experimentaram uma transformação tão intensa em tão pouco tempo quanto Barolo e Barbaresco. Desde que receberam o status de DOCG em 1980, ambas as denominações das colinas de Langhe, no Piemonte, redefiniram sua posição global. Essa evolução reflete mudanças interligadas nas práticas de vinhedo, na filosofia de produção e na estratégia comercial. Vamos explorar os marcos que moldaram essa jornada. Renato Ratti e o Nascimento do Conceito de Crus de Barolo (Décadas de 1970–1980) Compreender a trajetória pós-DOCG começa com o trabalho inovador de Renato Ratti durante a década de 1970. Conhecido como o "Pai dos Crus de Barolo", Ratti — historiador e produtor — retornou de experiências profissionais no Brasil e na Cinzano com uma missão: mapear a hierarquia qualitativa dos vinhedos de Barolo. O resultado foi a primeira ‘Carta del Barolo’ detalhada, publicada em meados dos anos 70 e refinada ao longo dos anos 80. O mapa de Ratti dividiu Barolo em áreas de vinhedos distintas — ou crus — com base na reputação histórica e na qualidade consistente. Foi a primeira tentativa séria de classificar os vinhedos de Barolo seguindo os modelos franceses de ‘climat’ e ‘cru’. Perspectiva do vinhedo: O trabalho de Ratti despertou uma consciência mais ampla da expressão do terroir entre os viticultores. Locais como Cannubi, Brunate e Rocche dell’Annunziata ganharam novo valor crítico e comercial. Perspectiva da vinícola: Os produtores começaram a vinificar as uvas de vinhedos individuais separadamente, rompendo com a mistura tradicional em nível de vilarejo. Perspectiva comercial: O mapa de Ratti tornou-se uma poderosa ferramenta de narrativa e marketing. Os consumidores passaram a ver o Barolo não como um vinho monolítico, mas como uma coleção de vozes distintas de cada vinhedo. Acervo Enoteca Regionale del Barolo O primeiro mapa do Barolo foi elaborado por Renato Ratti, tendo sido publicado na década de 1970 O Escândalo do Metanol (1986): Uma Crise que Redefiniu os Padrões do Vinho Italiano Em 1986, o vinho italiano enfrentou uma crise devastadora: o Escândalo do Metanol. Provocada por produtores inescrupulosos de vinho a granel, incluindo alguns do Piemonte, a adulteração de vinhos de baixo custo com metanol industrial levou a 23 mortes e sequelas permanentes em dezenas de pessoas. Embora os produtores de Barolo e Barbaresco não estivessem envolvidos, o escândalo prejudicou a reputação do vinho da Itália em todo o mundo. A crise expôs fraquezas estruturais: superprodução, rastreabilidade deficiente e fiscalização insuficiente. A Itália ainda era percebida em muitos mercados de exportação como uma fonte de vinho barato a granel, o que forçou uma ação urgente para restaurar a confiança. Perspectiva do vinhedo: Embora as Langhe não estivessem no epicentro, os produtores responderam fortalecendo a documentação dos vinhedos, implementando controles de colheita e promovendo a transparência da uva à garrafa. Para muitos, este foi o primeiro passo em direção à sustentabilidade e à rastreabilidade rigorosa. Perspectiva da vinícola: Os enólogos intensificaram o controle de qualidade, focando em análises laboratoriais, padrões de higiene e rastreamento detalhado de lotes, da fermentação ao engarrafamento. Perspectiva comercial: As exportações caíram drasticamente, com compradores desconfiados de todo vinho italiano. A produção de Barolo quase caiu pela metade — de 7,26 milhões para 3,71 milhões de garrafas. No entanto, o status de DOCG, introduzido seis anos antes, ajudou a proteger o Barolo e o Barbaresco. O selo DOCG tornou-se um símbolo de qualidade e origem garantidas. Em retrospectiva, esse capítulo sombrio acelerou a transformação da região de uma especialidade local para um vinho fino respeitado internacionalmente, ancorado na rastreabilidade e no terroir. A Safra de 1990: A Faísca que Incendiou o "Boom" do Barolo O início dos anos 1990 marcou um ponto de virada definitivo. A safra de 1990 recebeu elogios críticos sem precedentes de revistas como Decanter e Wine Spectator. O clima favorável rendeu Nebbiolos maduros e concentrados, com um equilíbrio excepcional entre estrutura, fruta e acidez. Mas esse boom não foi resultado de apenas um ano de sorte. Historiadores regionais e publicações do setor destacam que a base foi lançada ao longo da década de 1980 por uma nova geração de produtores focados na qualidade. Desde o final dos anos 80, produtores como Luciano Sandrone, Elio Altare e Roberto Voerzio adotaram a viticultura de baixos rendimentos, a colheita verde e uma seleção rigorosa de uvas. Perspectiva do vinhedo: O sucesso da década de 1990 e das boas safras anteriores (1988 e 1989) criou um ciclo virtuoso de investimento nos vinhedos. Historicamente, as encostas nobres eram dominadas por Dolcetto e Barbera. Os anos 90 motivaram os viticultores a expandir o plantio de Nebbiolo — mesmo em áreas marginais antes consideradas arriscadas. Dados do Consorzio Langhe mostram um crescimento constante na área de Nebbiolo ao longo da década. Perspectiva da vinícola: A demanda crescente impulsionou a modernização das vinícolas: fermentadores com controle de temperatura, desengaçadeiras de precisão e melhores equipamentos de engarrafamento tornaram-se comuns. Perspectiva comercial: O salto nas exportações foi dramático. Os EUA lideraram a demanda, seguidos por Alemanha, Suíça e Escandinávia. Pela primeira vez, Barolo e Barbaresco foram percebidos como "vinhos de investimento", aparecendo em leilões ao lado dos grandes Bordeaux. A Revolução dos "Barolo Boys" (1993): Desafiando a Tradição Em 1993, Barolo tornou-se o epicentro de uma revolução estilística e cultural: o movimento Barolo Boys. Jovens produtores — incluindo Elio Altare, Chiara Boschis, Giorgio Rivetti, Roberto Voerzio e Marco Parusso — buscaram redefinir o Barolo. O objetivo: produzir vinhos com maior pureza de fruta, taninos mais macios e que pudessem ser apreciados mais cedo. Ao longo dos anos 80, este grupo realizou degustações às cegas, debateu práticas de vinícola e trocou técnicas vitícolas. Influenciados pela Borgonha e por Bordeaux, introduziram inovações controversas — principalmente o uso de pequenas barricas de carvalho francês tostadas (225 litros), substituindo os tradicionais grandes tonéis de carvalho da Eslavônia. Essas barricas facilitavam a troca de oxigênio e infundiam sabores como baunilha e especiarias, alterando drasticamente o perfil sensorial do Barolo. Os 'Barolo Boys': grupo que reuniu Elio Altare, Chiara Boschis, Giovanni Manzone, Marc de Grazia, Giorgio Rivetti, Roberto Voerzio e Marco Parusso e defendeu a inovação nos protocolos de produção Perspectiva do vinhedo: Os Barolo Boys revolucionaram as práticas no campo, introduzindo a colheita verde — a remoção de cachos de uva em agosto para concentrar os sabores. Isso foi uma ruptura total com a ênfase tradicional da região em rendimentos mais elevados. Perspectiva da vinícola: Os tempos de fermentação e maceração caíram significativamente — de 30 a 40 dias para menos de dez em muitos casos. O controle de temperatura durante a fermentação tornou-se padrão, resultando em cor mais profunda e taninos mais sedosos. Perspectiva comercial: Graças a um jovem importador ítalo-americano, os Barolo Boys embarcaram em uma turnê de marketing nos EUA, ganhando seu famoso apelido. Os críticos americanos abraçaram rapidamente esse novo estilo mais acessível. Essa revolução não ocorreu sem conflitos. As "Guerras do Barolo" dos anos 90 evidenciaram a divisão geracional entre os chamados modernistas e os tradicionalistas. Enquanto os Barolo Boys defendiam a inovação, os produtores mais velhos viam as mudanças como inautênticas. Episódios emocionais marcaram essa era: Chiara Boschis enfrentou resistência familiar por praticar a colheita verde, e Elio Altare foi deserdado após destruir os antigos tonéis da família com uma motosserra. 2000–2010: Maturidade e Equilíbrio A primeira década do século XXI marcou um período de consolidação e equilíbrio estilístico. Perspectiva do vinhedo: A viticultura de precisão tornou-se a norma. Os viticultores implementaram mapeamento de solo, gestão do dossel vegetativo e práticas sustentáveis, respondendo a safras cada vez mais quentes. Perspectiva da vinícola: Surgiu um meio-termo entre as técnicas modernistas e tradicionalistas. Os tempos de maceração voltaram a aumentar, mas permaneceram controlados. O envelhecimento passou a privilegiar novamente tonéis maiores, mas com foco rigoroso na gestão de oxigênio e higiene. Perspectiva comercial: O crescimento das exportações foi notável. Em 2010, mais de 70% da produção de Barolo e Barbaresco destinava-se a mercados internacionais. O Sistema MGA: Barbaresco (2007) e Barolo (2010) Um dos marcos regulatórios mais importantes foi a introdução das Menzioni Geografiche Aggiuntive (MGAs). O Barbaresco adotou o sistema em 2007, e o Barolo em 2010. Uma figura chave nesse desenvolvimento foi Alessandro Masnaghetti, cujos mapas da Enogea ofereceram a primeira análise detalhada e acessível dos vinhedos de Langhe. Seu trabalho ajudou produtores e consumidores a entender a complexidade geográfica e qualitativa da região. Perspectiva do vinhedo: O sistema MGA reconheceu oficialmente 66 subzonas no Barbaresco e 170 no Barolo. Além disso, o Barolo introduziu 11 denominações comunais (como La Morra e Serralunga d’Alba). A designação “Vigna” também foi criada, reservada para vinhos provenientes inteiramente de um único vinhedo registrado dentro de uma MGA. Perspectiva da vinícola: Os enólogos foram incentivados a vinificar as parcelas MGA separadamente, destacando as diferenças de solo, altitude e microclima. Perspectiva comercial: A estrutura MGA permitiu que os produtores organizassem seus portfólios em níveis: Barolo/Barbaresco genérico, vinhos de nível comunal, engarrafamentos de MGAs específicas e vinhos de vinhedo único ‘Vigna’. Acervo Enoteca Regionale del Barolo Patrimônio Mundial da UNESCO (2014) e a Barolo & Barbaresco Academy Em 2014, a UNESCO inscreveu as paisagens vitivinícolas de Langhe-Roero e Monferrato como Patrimônio Mundial, um marco cultural de peso. Comercial e culturalmente, isso transformou a região em um destino de luxo para o enoturismo. Para sustentar esse novo perfil, o Consorzio lançou em 2019 a Barolo & Barbaresco Academy. Sua missão: treinar uma nova geração de “Embaixadores das Langhe”, aprofundando o conhecimento técnico e comercial sobre esses vinhos nos mercados de exportação. Barolo e Barbaresco Hoje: Ícones de Resiliência Em 2025, o Barolo e o Barbaresco estão firmemente estabelecidos como ícones globais de vinhos de terroir e de longa guarda. As antigas divisões entre modernistas e tradicionalistas praticamente se dissolveram. Perspectiva do vinhedo: O principal desafio atual é a mudança climática. Temperaturas crescentes e clima imprevisível levaram os viticultores a explorar a gestão da folhagem, ajustar datas de colheita e até plantar Nebbiolo em encostas voltadas para o norte para preservar a acidez e a definição aromática. Perspectiva da vinícola: A produção agora busca o equilíbrio. A extração é gentil para expressar a identidade da MGA, e o uso de madeira (seja em tonéis grandes ou barricas neutras) visa apoiar, e não mascarar, a fruta. Perspectiva comercial: A demanda internacional continua a crescer, com mercados emergentes como China, Japão e Coreia do Sul juntando-se aos destinos tradicionais. O mercado secundário de leilões para vinhos envelhecidos ganhou força, com as MGAs atingindo preços recordes. Considerações Finais A evolução do Barolo e do Barbaresco desde 1980 reflete resiliência, adaptabilidade e a construção de uma identidade sólida. Do mapeamento visionário de Ratti às inovações dos Barolo Boys, da legislação das MGAs ao reconhecimento da UNESCO, a região mostrou que tradição e inovação podem coexistir. Hoje, cada taça reflete o solo, a uva e décadas de esforço humano para elevar um dos maiores patrimônios vinícolas do mundo. Últimas vagas para o curso Vinhos e Vinhas da Itália Descubra a Itália e aprofunde seus conhecimentos com o curso Vinhas e Vinhos da Itália, uma experiência única promovida pela seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS). Em sua segunda edição – em 2025 as vagas se esgotaram rapidamente – o curso proporciona uma verdadeira viagem ao coração da viticultura italiana, explorando a diversidade e a tradição de suas uvas autóctones e regiões emblemáticas. Com aulas gravadas e uma imersão presencial exclusiva, realizada no dia 18 de julho, em Bento Gonçalves, os participantes terão a oportunidade de degustar 20 vinhos italianos icônicos, harmonizados com pratos típicos, em uma experiência sensorial inesquecível. O conteúdo foi cuidadosamente elaborado para sommeliers, estudantes de enologia, profissionais da gastronomia e entusiastas do vinho e da cultura italiana, promovendo aprendizado técnico e vivências culturais. As aulas serão conduzidas por um time de especialistas reconhecidos internacionalmente, todos com certificação Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, garantindo uma abordagem didática, aprofundada e atual sobre o universo dos vinhos italianos. O curso tem vagas limitadas, por isso não perca essa oportunidade. Inscreva-se agora! PROGRAME-SE: Curso Vinhas e Vinhos da Itália - Professores com certificação Italian Wine Ambassador, pela Vinitaly International Academy - Formato híbrido: aulas gravadas online + imersão presencial - Foco nas castas autóctones da itália - Conexão entre história, tradição e excelência vinícola Início: aulas online disponibilizadas em julho Imersão presencial: 18 de julho, das 8h30 às 17h30 Local do encontro presencial: em Bento Gonçalves Aula, degustações e almoço harmonizado inclusos no curso Professores: - Júlio César Kunz: Italian Wine Ambassador - Vinícius Santiago: Italian Wine Ambassador - Caroline Dani: representante do Brasil na OIV e presidente da ABS-RS Inscrições e mais informações: aqui ou pelo WhatsApp (54) 99972.0130
- Dia Nacional do Vinho é oficializado
Comemoração foi sancionada hoje pela presidência da República. Já o Rio Grande do Sul oficializou no mês passado o Dia Estadual do Sommelier, a ser celebrado anualmente em 3 de junho Foto Martha Caus O primeiro domingo de junho foi oficializado hoje como o Dia Nacional do Vinho. A data já vem sendo comemorada no Rio Grande do Sul desde 2003, com a instituição de uma lei estadual. Já a determinação federal tem origem no PLC 147/2008, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Em 2015, Lasier Martins, senador gaúcho à época, encaminhou o requerimento para publicação. No Senado, o texto foi aprovado em 2017, com relatoria do então senador Pedro Simon (RS). E hoje, a Lei 15.460, de 2026, foi finalmente sancionada sem vetos pela Presidência da República e publicada no Diário Oficial da União. A vitivinicultura está presente em diferentes regiões do país, com produção registrada em 18 estado Brasileiros, refletindo a expansão da produção para diferentes condições climáticas e sistemas de cultivo. Entretanto, o Rio Grande do Sul concentra a maior parte da produção nacional de vinhos e espumantes, respondendo por aproximadamente 90% do volume total. “Já temos a produção de uva e seus derivados em estados de Norte a Sul e estamos conquistando representatividade para setor do vinho também no mundo como polo produtivo, no desenvolvimento de tecnologias e de pesquisas, mas principalmente como mercado consumidor”, observa a presidente da seccional gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS), Caroline Dani. A dirigente menciona o crescimento no consumo observado no ano passado, de 41,9% segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), e o crescimento no interesse pelo tema. Em 10 anos de atuação a entidade já formou aproximadamente 1,5 mil sommeliers. Somente esse ano, foram criadas quatro turmas de alunos para o curso de formação profissional – todas com vagas esgotadas – e, a partir de setembro, uma nova turma do curso Master Países e Regiões, que aprofundará os conhecimentos na região do Velho Mundo, está com inscrições em andamento. Dia Estadual do Sommelier é instituído no Rio Grande do Sul Em junho passado, o Rio Grande do Sul também passou a contar com uma data oficial dedicada aos sommeliers. O governo do Estado sancionou a Lei nº 16.524, que institui o Dia Estadual do Sommelier, a ser celebrado anualmente em 3 de junho. A proposta, de autoria do deputado estadual Guilherme Pasin (PP), tem origem no Projeto de Lei nº 80/2024 e representa um reconhecimento formal à categoria de profissionais que atuam na valorização do vinho, da gastronomia e do turismo ligado ao setor vitivinícola gaúcho. Para Caroline Dani, a sanção da lei é um marco para a profissão no Estado. “Ter essa lei sancionada é mais um reconhecimento do papel do sommelier. Nós ficamos muito felizes com a proposta feita pelo deputado e entendemos o quanto isso representa, efetivamente, para o reconhecimento da profissão”, afirma. Caroline explica que o sommelier desempenha uma função que vai muito além da degustação técnica. “É um profissional que tem um papel crucial na ponta, no entendimento da cultura, em levar a cultura do vinho aos consumidores, em levar o vinho de alguma forma a todos. O sommelier é, de fato, um articulador entre a cadeia produtiva e o consumidor”, explica a presidente da ABS-RS. A expectativa da entidade é de que o novo marco legal contribua para o crescimento da categoria no Estado. “Desejamos que, a partir dela, tenhamos cada vez mais sommeliers atuando nos diferentes cenários em que esse profissional pode atuar, e que isso possa auxiliar na questão da cultura do vinho no Rio Grande do Sul”, projeta a presidente. Para o deputado Guilherme Pasin, autor do projeto, a criação da data reforça o papel estratégico dos sommeliers na promoção da cultura do vinho e na qualificação da experiência enoturística — segmento que vem ganhando relevância crescente para a economia gaúcha. “Os sommeliers são profissionais que ajudam a conectar o consumidor à história, à cultura e à qualidade dos produtos elaborados em nosso Estado. Reconhecer oficialmente essa profissão é também valorizar toda a cadeia vitivinícola, um dos grandes patrimônios econômicos e culturais do Rio Grande do Sul”, destacou o parlamentar. Com a nova legislação, o Rio Grande do Sul passa a ter, no calendário oficial, uma data simbólica para reconhecer profissionais que, segundo a ABS-RS, são peça-chave na construção da identidade vitivinícola do Estado. Atualize-se! O reconhecimento governamental da importância da atividade vinícola no país, é mais um dos indicadores que mostram o quanto o vinho vem ganhando relevância no Brasil. E, para empreender ou trabalhar nesse segmento, é crucial estar capacitado para atuar em um universo global e dinâmico, que demanda atualização permanente de conhecimentos. Por isso, o trabalho de qualquer profissional do vinho passa necessariamente pela compreensão dos principais países produtores, suas regiões mais valiosas e os estilos representativos de cada um. Essa é uma das áreas de estudo de maior importância e demanda no mercado. E é justamente o foco do curso Master Países e Regiões, uma especialização fundamental a quem busca a compreensão completa do mapa-múndi do vinho. O programa é organizado entre duas divisões consolidadas do setor: Velho Mundo - Europa Clássica e Novo Mundo e Outras Fronteiras. Nesta etapa da formação, são abordados em detalhes os países que estabeleceram os principais conceitos e padrões vitivinícolas do planeta: França, Itália, Espanha, Portugal e Alemanha. O conteúdo percorre as mais famosas zonas produtoras desses países, assim como áreas emergentes ou que são fonte de produtos considerados tendência de consumo. O Curso Master não pertence à grade anual da ABS-RS, sendo oferecido em 2026 após um intervalo de três anos. Por isso, não perca essa oportunidade de qualificação. Inscreva-se agora e garanta a sua vaga nesse curso que traz os professores referência no mercado brasileiro da sommellerie! Saiba mais: Curso Master Países e Regiões – Velho Mundo I Europa Clássica Data de Início: 22 de setembro de 2026 Formato: aulas online, ao vivo Quando: uma vez por semana, às terças-feiras, das 19h às 22h Carga Horária: 123 horas de conteúdo e imersão Matrículas: aqui ou pelo whatsApp (54) 99972.0130
- Como fumar seu primeiro charuto
Degustar um charuto é uma experiência que combina tradição, ritual e apreciação sensorial Considerate Agency/Unsplash Por Vinícius Santiago, Professor da ABS-RS Para iniciantes, compreender os passos fundamentais pode transformar essa prática em um momento agradável e memorável. A seguir, apresentamos um guia com etapas essenciais para fumar seu primeiro charuto de forma adequada. Escolha do Charuto Para os novatos, é recomendável iniciar com charutos de intensidade suave a média, que proporcionam uma experiência mais acessível ao paladar inexperiente. Bitolas como Robusto e Corona são ideais, pois oferecem um equilíbrio entre tamanho e tempo de queima, permitindo uma degustação satisfatória sem ser excessivamente prolongada. Preparação do Charuto Antes de acender, é necessário cortar a extremidade fechada do charuto, conhecida como "cabeça". Utilize um cortador de charutos de qualidade para fazer um corte preciso, removendo aproximadamente 3 mm da ponta. Isso garante um fluxo de ar adequado durante a fumada, essencial para uma experiência agradável. Acendimento Correto Para acender o charuto, prefira um isqueiro maçarico ou fósforos de madeira longos, evitando isqueiros comuns que podem alterar o sabor do tabaco. Comece tostando o pé do charuto (a extremidade que será acesa) sem encostar diretamente na chama, girando-o para aquecer uniformemente. Em seguida, coloque o charuto na boca e, enquanto gira lentamente, puxe o ar suavemente através dele, mantendo-o próximo à chama até que esteja completamente aceso. Este é um processo que deve ser realizado sem pressa, para preservar os aromas do charuto, além de ser parte do ritual. Degustação Apropriada Ao fumar um charuto, é importante não tragar a fumaça. Em vez disso, puxe a fumaça para a boca, saboreando os aromas e sabores antes de expeli-la. Fume lentamente, dando intervalos de aproximadamente 30 segundos entre as baforadas, para evitar que o charuto superaqueça e desenvolva um sabor amargo. Não é necessário ficar batendo as cinzas do charuto durante a fumada: caso queira eliminar o excesso destas, basta encostá-las no cinzeiro e deixar que caiam naturalmente. Finalização da Fumada Diferentemente dos cigarros, os charutos não precisam ser apagados ativamente. Ao final da degustação, simplesmente coloque o charuto no cinzeiro e deixe-o apagar naturalmente. Isso evita odores indesejados e mantém a elegância do ritual. Seguindo esses passos, você estará preparado para apreciar seu primeiro charuto de maneira consciente e prazeirosa. Lembre-se de que a prática aprimora a experiência, e cada charuto oferece uma nova oportunidade de descoberta no mundo do tabaco.
- A Itália, país da beleza — e o caminho para compreender suas uvas
Resultado de encontros civilizatórios, cada casta italiana carrega uma narrativa milenar. O conhecimento profundo amplia a apreciação dos vinhos e a capacidade de comunicá-los com precisão e respeito Nataliya Melnychuk / Unsplash Por Júlio César Kunz Diretor da ABS-RS e vice-presidente da ABS Brasil A Itália é um país onde a beleza parece uma matéria-prima inesgotável. Beleza na arquitetura que molda a alma de suas cidades: a monumental Piazza dell’Unità d’Italia, em Trieste — a maior praça italiana aberta para o mar; a Basilica de São Marcos em Veneza, com seus mosaicos dourados; a luminosidade elegante da Galleria Vittorio Emanuele II, em Milão; e, claro, o Coliseu, que permanece de pé como uma declaração de permanência. Beleza também na arte que permeia cada século de sua história — especialmente no Renascimento florentino, que redefiniu o olhar do Ocidente —, na música que ecoa das praças às grandes óperas, na poesia que moldou o pensamento europeu, na moda que inspira o mundo, e nos vinhos que completam a mesa italiana como parte de sua própria identidade cultural. Não é difícil se apaixonar pela Itália, por sua gastronomia e pelo vínculo íntimo que ela estabelece com o vinho. Mas por trás dessa paixão imediata existe uma profundidade que somente o estudo rigoroso revela — e é justamente esse o caminho que se abre para quem se empenha em compreender verdadeiramente o vinho italiano. Da admiração ao conhecimento profundo Como Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, aprendi que não basta degustar vinhos, caminhar entre colinas e montanhas, ou cultivar amizades com produtores — ainda que isso seja sempre prazeroso e enriquecedor. Para entender a Itália em toda a sua complexidade, é preciso estudar. E estudar muito. Essa é, aliás, a grande lição do professor Attilio Scienza, o mais influente pesquisador de viticultura da Itália contemporânea. Em suas obras, Scienza demonstra que compreender o vinho italiano exige um mergulho profundo em história, mitologia, arqueologia, botânica e genética. A Itália foi forjada na confluência de todas as influências possíveis: grega, púnica, etrusca, ibérica, romana e franco-borgonhesa. Suas uvas são resultado desse encontro civilizatório, e cada casta carrega consigo uma narrativa milenar que só se revela com estudo atento. Tucker Monticelli / Unsplash A estátua de um monge, em um vinhedo da ilha de Torcello, região do Vêneto, no norte da Itália, destaca a longa tradição de viticultura no país O estudo das uvas é o estudo da própria Itália O primeiro passo é simples apenas na aparência: saber quais uvas estão em quais regiões, articulando esse conhecimento com: clima e altitudes, características de adaptação, práticas vitícolas tradicionais e perfis sensoriais associados a cada território. Mas esse é apenas o começo. Para compreender, de fato, o vinho italiano, é preciso dar o passo seguinte: associar geologia à genética. E aí a beleza se torna um labirinto fascinante. A geologia explica a expressão. A genética explica a identidade. E a história explica o porquê. Sem entender a rica mitologia que envolve as antigas variedades — como Vênus, Baco, as ninfas, os heróis fundadores —, perde-se metade do significado simbólico que moldou o modo italiano de se relacionar com a videira. E quando finalmente acreditamos estar começando a compreender, chega o momento de lidar com o verdadeiro desafio: sinônimos para a mesma uva famílias varietais biotipos regionais clones adaptações microclimáticas cruzamentos naturais ao longo de séculos O que parecia simples revela-se um universo. Quando a genética esclarece e nasce a compreensão verdadeira É então que a genética — para usar uma imagem recorrente de Scienza — funciona como uma “lanterna na neblina”. De repente, tudo aquilo que parecia desconexo começa a ganhar sentido: a razão pela qual o Sangiovese assume inúmeras faces, a conexão entre Glera, Prosecco Tondo e as variedades de origem eslovena, a árvore genealógica que liga Nebbiolo, Freisa e Vespolina, as relações mediterrâneas profundíssimas entre variedades do sul, muitas de origem grega ou fenícia e o papel dos Alpes como refúgio e origem de cruzamentos naturais. Nessa hora, aquela paixão inicial e superficial pela Itália transforma-se em algo maior: um conhecimento profundo, sólido, que amplia a capacidade de apreciação dos seus vinhos e, sobretudo, a capacidade de comunicá-los com precisão, respeito e verdade. O estudo não diminui a paixão: ele a intensifica. E quanto mais se estuda a Itália, mais ela revela sua grandeza. Vinhos e Vinhas da Itália terá segunda edição em julho Edição 2025 do curso apresentou mais de 40 rótulos de diferentes castas italianas, contou com experiência gastronômica harmonizada, e foi conduzida por Italian Wine Ambassadors da ABS-RS Descubra a Itália e aprofunde seus conhecimentos com o curso Vinhas e Vinhos da Itália, uma experiência única promovida pela seção gaúcha da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS). Em sua segunda edição – em 2025 as vagas se esgotaram rapidamente – o curso proporciona uma verdadeira viagem ao coração da viticultura italiana, explorando a diversidade e a tradição de suas uvas autóctones e regiões emblemáticas. Com aulas gravadas e uma imersão presencial exclusiva, realizada no dia 18 de julho, em Bento Gonçalves, os participantes terão a oportunidade de degustar 20 vinhos italianos icônicos, harmonizados com pratos típicos, em uma experiência sensorial inesquecível. O conteúdo foi cuidadosamente elaborado para sommeliers, estudantes de enologia, profissionais da gastronomia e entusiastas do vinho e da cultura italiana, promovendo aprendizado técnico e vivências culturais. As aulas serão conduzidas por um time de especialistas reconhecidos internacionalmente, todos com certificação Italian Wine Ambassador pela Vinitaly International Academy, garantindo uma abordagem didática, aprofundada e atual sobre o universo dos vinhos italianos. O curso tem vagas limitadas, por isso não perca essa oportunidade. Inscreva-se agora! PROGRAME-SE: Curso Vinhas e Vinhos da Itália - Professores com certificação Italian Wine Ambassador, pela Vinitaly International Academy - Formato híbrido: aulas gravadas online + imersão presencial - Foco nas castas autóctones da itália - Conexão entre história, tradição e excelência vinícola Início: aulas online disponibilizadas em julho Imersão presencial: 18 de julho, das 8h30 às 17h30 Local do encontro presencial: Sede da ABS-RS, em Bento Gonçalves Aula, degustações e almoço harmonizado inclusos no curso Professores: - Júlio César Kunz: Italian Wine Ambassador - Vinícius Santiago: Italian Wine Ambassador - Caroline Dani: representante do Brasil na OIV e presidente da ABS-RS Inscrições e mais informações: aqui ou pelo WhatsApp (54) 99972.0130
- Quanto custa um hectare de vinhedo pelo mundo?
Levantamento feito por consultoria imobiliária especializada mostra que a ascensão ou o declínio do prestígio dos rótulos também impactam no mercado imobiliário dos vinhedos mundiais Por Sarah Neish para The Drink Business https://www.thedrinksbusiness.com/2026/04/how-much-does-one-hectare-cost-to-buy-around-the-world/ No mercado vinícola, muito tem sido debatido sobre a conveniência de possuir um vinhedo. E uma enxurrada de vendas de alto valor observadas no ano passado, sugeria que proprietários estão descontando seus investimentos e deixando o campo. No entanto, o relatório anual de 2026, da empresa imobiliária independente Knight Frank pinta um quadro bastante diferente e sinaliza para potenciais compradores, as regiões nas quais vale a pena se concentrar. De acordo com o relatório, as regiões de alto interesse incluem o tríptico clássico de Champagne, Bordeaux e Borgonha na França. Essas três regiões se encaixam melhor na fórmula mágica para o valor atual da vinha, que são “vinhedos com uma forte história narrativa focada na origem e na tradição”, diz o relatório. Nos EUA, o valor dos vinhedos de Napa Valley continua a subir, mas o Willamette Valley, no Oregon, também é uma oportunidade a se observar. Classificadocomo “um ponto ideal de clima frio para Pinot Noir e Chardonnay”, o relatório diz que Willamette Valley oferece “apelo adjacente à Borgonha a preços absolutos mais baixos”. Trabalho italiano Para aqueles que buscam um pedacinho de chão na Itália, o Piemonte sai por cima devido a uma “profunda demanda global por suas marcas escassas e ultra-premium”. No entanto, a Toscana também está passando por grandes melhorias vitivinícolas, especialmente nas áreas de Montalcino e Bolgheri, o que significa que os vinhedos estão se tornando um ativo cada vez mais valioso. “Na Toscana, estamos vendo uma grande mudança em direção à qualidade sobre a quantidade, produçãoorgânica sobre a tradicional e um movimento em direção a melhores áreas de cultivo, enquanto direcionam terras menos adequadas para outras produções, como azeitonas e árvores frutíferas”, diz Bill Thomson, presidente da Knight Frank's Italian Network. “Isso se reflete nas mudanças nas adegas dos melhores produtores.” O turismo conta Na comparação entre um vinhedo em Stellenbosch, na África do Sul e em Barossa Valley, na Austrália (ambos custam cerca de US$ 300 mil por hectare, veja a lista abaixo), o investimento mais forte pode ser Stellenbosch. Porque, como o relatório destaca: “As margens mais duradouras se acumulam onde o lugar, as pessoas e a hospitalidade convertem os visitantes em defensores”. As regiões que se destacam em todas essas três características incluem também o Napa Valley, local que a Knight Frank diz que “estabelece a referência para a hospitalidade do vinho e o luxo do estilo de vida”, mas também Stellenbosch, Provença e Toscana, que têm “profundo pedigree experiencial” combinado com “paisagens deslumbrantes, hospitalidade premium e excelentes vinhos”. Isso não quer dizer que o Barossa não deva ser considerado, no entanto, com o valor da vinha lá (e no Eden Valley) esperado para ainda se valorizar. Duas outras regiões sinalizadas pelo relatório como tendo um forte potencial de investimento são o Vale Uco da Argentina, que disse oferecer “uma infraestrutura turística dinâmica”, e a Geórgia. “Na fronteira da Europa e da Ásia, a Geórgia oferece uma história única de vinhos rica em religião, cultura e história”, impulsionando-a para os dez principais locais, segundo a Knight Frank, para “consumo de experiência”. A escassez supera a escala Em última análise, para o investidor, a escassez supera a escala. “Vinhedos nas principais regiões, como Champagne e Bordeaux, são onde os mundos das marcas de luxo e da vinificação comercial se sobrepõem, criando uma classe de ativos altamente resiliente”, diz o relatório. No entanto, mudar as preferências do consumidor no estilo do vinho também é “remodelar o mapa de oportunidades” e criar novos pontos de investimento em vinhedos. “Tintos mais claros, mais tensos e brancos vibrantes e precisos – combinados com os efeitos das mudanças climáticas – estão remodelando o mapa de oportunidades. O sul do Mâconnais e o norte de Beaujolais estão atraindo atenção, enquanto o Vale do Loire mostra um impulso semelhante”, diz Nicolas Parmentier, chefe de transações de vinhedos da consultoria imobiliária. Mas afinal, quanto o valor do hectare de vinhedo pelo mundo? Quando o valor da vinha é dividido pelo custo por hectare, pode-se observar algumas surpresas. Por exemplo, custa a mesma quantia omprar um único hectare em Marlborough, Nova Zelândia, que em Essex, Reino Unido (US$ 120 mil por hectare). E se o volume é o objetivo e se busca terras na Itália, então vale a pena saber que cinco hectares no Chianti Classico custam aproximadamente o mesmo preço que apenas um hectare em Bulghari ou em Brunello de Montalcino. Fonte: Wealth Report 2026 realizado pela consultoria imobiliária Knight Frank
- Sommelier profissional: mercado amplia e exige mais especialistas
Profissional do vinho ganha relevância no Brasil com amadurecimento do setor e acordo Mercosul-União Europeia, abrindo novas oportunidades e demandas Por Andreia Gentilini Diretora Tesoureira ABS-RS e colunista do Correio do Povo* Casa Hotéis / Divulgação / CP Gustavo Buske conquistou o tricampeonato como Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul, levando o título nos concursos de 2022, 2023 e 2026 Celebrado hoje, 3 de junho, Dia Internacional do Sommelier, o profissional que durante muitos anos foi associado exclusivamente ao serviço do vinho vive um dos momentos mais relevantes da sua história no Brasil. Impulsionada pelo amadurecimento do mercado, pela cultura do vinho e pela sofisticação da gastronomia e da hospitalidade, a sommellerie amplia seu espaço e assume funções cada vez mais estratégicas. O cenário ganha ainda mais força diante das perspectivas abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, firmado em maio de 2026, que aproxima mercados e amplia oportunidades de circulação de produtos e serviços entre 31 países. Nesse contexto, cresce a demanda por profissionais preparados para atuar não apenas em restaurantes, mas também em hotéis, importadoras, varejo especializado, enoturismo, gestão de adegas e desenvolvimento de experiências. Para a Associação Brasileira de Sommeliers no Rio Grande do Sul (ABS-RS), referência nacional em formação profissional, o futuro aponta para um mercado que valoriza cada vez mais especialistas capazes de unir repertório técnico, visão de serviço e sensibilidade para transformar uma taça em experiência. A evolução do papel do sommelier Essa evolução acompanha uma mudança importante no comportamento do consumidor. Hoje, beber vinho é apenas parte da experiência — compreender origem, estilo, harmonização, temperatura, serviço e contexto tornou-se um diferencial valorizado. O sommelier atua justamente nesse encontro entre técnica e emoção. É o profissional que traduz o trabalho do produtor, interpreta terroirs, conduz escolhas e cria memórias à mesa. Não por acaso, concursos e certificações ganharam relevância como forma de reconhecer excelência. Um dos exemplos mais representativos desse momento é Gustavo Buske, eleito Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul em 2026, conquistando o título pela terceira vez, após as vitórias de 2022 e 2023. Atual head sommelier do Grupo Casa Hotéis e gerente de alimentos e bebidas da Casa da Montanha, Buske representa uma geração que entende que conhecimento técnico precisa caminhar ao lado do serviço. Em entrevistas após a conquista, destacou que o estudo contínuo é parte essencial da profissão — uma área onde nunca se chega ao ponto final do aprendizado. A sommellerie na hotelaria e gastronomia Esse olhar especializado aparece de forma clara na hotelaria contemporânea. A Coleção Casa Hotéis, que reúne empreendimentos reconhecidos da Serra Gaúcha e dos Campos de Cima da Serra, transformou gastronomia e serviço em pilares centrais da experiência de hospedagem. Mais do que uma carta extensa, o vinho passa a ser elemento central da experiência e da identidade. Restaurantes como o Alma RS, comandado pelo chef Vladmir Paiva, mostram como vinho e cozinha deixaram de ocupar espaços separados para criar experiências integradas e conectadas ao território. Estive hospedada no Parador Cambará do Sul e também no Wood Hotel e pude perceber na prática esse cuidado — desde a curadoria dos rótulos até a forma como o serviço acompanha o ritmo do hóspede e valoriza produtores e estilos que dialogam com cada momento da estadia. É um exemplo de como a presença de um sommelier qualificado deixou de ser um diferencial para se tornar parte estratégica de negócios que apostam em excelência, hospitalidade e memória afetiva. Formação e capacitação profissional Para quem deseja ingressar nesse mercado ou aprofundar conhecimentos, a formação especializada tornou-se um passo decisivo. A ABS-RS chega em 2026 à marca de sua 25ª turma de formação profissional e já colocou no mercado quase 1,5 mil profissionais certificados, mantendo ainda vínculo internacional como membro exclusivo no Brasil da Association de la Sommellerie Internationale (ASI), entidade sediada na França e presente em 62 países. As próximas turmas do curso Sommelier Profissional começam em 24 de junho, na modalidade online, e em 10 de julho, na modalidade presencial. A formação contempla degustações orientadas, técnicas de serviço, harmonização, mise en place, visitas técnicas e contato com rótulos de diversas regiões do mundo — incluindo aproximadamente 80 rótulos ao longo do curso. Em um setor que cresce e se profissionaliza rapidamente, investir em conhecimento deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito. Informações completas sobre inscrições, professores e programação estão disponíveis no site da ABS-RS. *Texto publicado no Correio Do Povo em 31/05/2026 https://www.correiodopovo.com.br/gastronomia/colunistas/andreiagentilini/sommelier-profissional-mercado-amplia-e-exige-mais-especialistas-1.1717718#goog_rewarded FORMAÇÃO DE SOMMELIER PROFISSIONAL ABS-RS Para quem busca iniciar a qualificação para atuar na área ainda em 2026, a ABS-RS está com as últimas vagas disponíveis nos cursos de formação de Sommelier Profissional. Não deixe a oportunidade passar! Garanta sua vaga com a melhor formação oferecida no país. Modalidade On-line Início das aulas: 24 de junho de 2026 Carga horária: 145 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 969,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 11.967,00. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.030,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 12.720,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130 Modalidade presencial Fotos Cesar Silvestro e Martha Caus Início das aulas: 10 de julho de 2026 Carga horária: 130 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.090,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 13.461,60. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$1.150,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 14.202,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130
- Dia Estadual do Sommelier e do Suco de Uva entrarão para o calendário oficial do RS
Projetos de lei buscam valorizar profissionais da área e destacar cadeia produtiva. Para interessados em iniciar qualificação ainda em 2026, curso de formação da ABS-RS está nas últimas semanas para inscrições Fotomontagem com imagem de Louis Hansel/Unsplash Nessa terça-feira, dia 26 de março, foram aprovados, pela Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, os projetos de lei que instituem o Dia Estadual do Sommelier e o Dia Estadual do Suco de Uva. Os projetos ainda passarão pela sanção do governador Eduardo Leite passando, a partir de então, a integrar ao calendário oficial do Estado, reforçando a relevância cultural, econômica e social da produção de uvas, vinhos e derivados para o Rio Grande do Sul, assim como do profissional que atua unindo as pontas dessa cadeia produtiva tão relevante para os gaúchos. O projeto de lei (PL) 373/2023 estabelece o Dia Estadual do Suco de Uva, a ser celebrado anualmente no primeiro domingo de março, valorizando um produto símbolo da agroindústria gaúcha e da agricultura familiar. Já o PL 80/2024 institui o Dia Estadual do Sommelier, em 3 de junho, destacando a importância dos profissionais responsáveis por aproximar o consumidor do universo do vinho e das bebidas. As propostas, de autoria do deputado Guilherme Pasin (PP), foram aprovadas em votação conclusiva. Segundo o parlamentar, as medidas reconhecem a contribuição de um setor que movimenta a economia, gera empregos, impulsiona o turismo e fortalece a identidade cultural das regiões produtoras do Estado. O reconhecimento oficial dessas datas também destaca a importância estratégica do sommelier no desenvolvimento do mercado brasileiro de vinhos. Mais do que especialistas em serviço, esses profissionais atuam como ponte entre produtores, estabelecimentos e consumidores, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre vinhos, qualificar experiências de consumo e estimular a valorização dos produtos nacionais. Em 2025, o mercado de vinhos no Brasil teve alta de 42%, registrando crescimento consistente nos últimos anos, acompanhado pelo aumento do interesse do público por informação, cultura e experiências ligadas ao setor. Nesse cenário, cresce também a demanda por profissionais capacitados, tornando a qualificação uma ferramenta fundamental para quem deseja atuar em áreas como serviço, varejo, turismo, gastronomia, comunicação e educação do vinho. "Quem tiver conhecimento certamente vai se destacar, será cada vez mais necessária a presença de profissionais habilitados nos salões dos restaurantes, nas adegas, nos comércios e nas importadoras, por exemplo", esclarece Caroline Dani. E a presidente da Associação Brasileira de Sommeliers no Rio Grande do Sul (ABS-RS) vai mais além: "Cada vez mais o sommelier com formação completa será mais procurado e valorizado, o que vai significar boas posições nas empresas e o desenvolvimento de carreira na área", completa Caroline. Para quem busca iniciar a qualificação para atuar na área ainda em 2026, a ABS-RS, está com as últimas vagas disponíveis nos cursos de formação de Sommelier Profissional. Oferecido nos formatos online e presencial, as turmas iniciam dia 24 de junho e 10 de julho respectivamente. A ABS-RS já formou quase 1,5 mil profissionais com certificação no Brasil e no mundo. E a ABS é membro exclusivo no Brasil da Association de La Sommellerie Internationale (ASI). Com sede na França e presente em 62 países, a ASI representa a categoria internacionalmente. Os cursos capacitam o aluno a exercer as mais diversas funções da profissão, abrangendo todas as necessidades da área: foco em degustação, técnicas de serviço do vinho, mise en place, harmonizações, noções de coquetelaria, entre outras. Tanto na modalidade presencial quanto na online há ainda a possibilidade de degustar mais de 80 rótulos de diferentes partes do mundo – a formação contempla pelo menos R$ 30 mil em vinhos, destilados, fermentados, coquetelaria, cerveja entre outras bebidas, com rótulos premium das principais regiões produtoras do mundo. O conteúdo completo, os professores e a programação detalhada podem ser conferidos aqui, no site da ABS-RS. FORMAÇÃO DE SOMMELIER PROFISSIONAL ABS-RS Modalidade On-line Início das aulas: 24 de junho de 2026 Carga horária: 145 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 969,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 11.967,00. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.030,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 12.720,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130 Modalidade presencial Fotos Cesar Silvestro e Martha Caus Início das aulas: 10 de julho de 2026 Carga horária: 130 horas/aula Valores: Associados ABS-RS – Matrícula + 12 parcelas de R$ 1.090,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 13.461,60. Público em geral – Matrícula + 12 parcelas de R$1.150,00. Ou 5% de desconto à vista, por R$ 14.202,50. Inscrições e mais informações: aqui ou pelo whatsapp (54) 99972.0130
- Gustavo Buske é o melhor sommelier do RS 2026
O tricampeonato foi obtido em uma prova emocionante, transmitida ao vivo pela ABS-RS. Lucas Uliana, vencedor em 2025, ficou em segundo e, Marcelo dos Santos, finalista também em 2023, completou o pódio Fotos Martha Caus Vencedor nos concursos de 2022 e 2023, Buske voltou a concorrer e levar o título estadual É a terceira vez que o profissional, nascido em Canela, conquista o título mais cobiçado da categoria no Rio Grande do Sul. A prova que consagrou Buske foi realizada em Bento Gonçalves (RS), em programação paralela do escritório gaúcho da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-RS) durante a Wine South America. Lucas Uliana, vencedor do concurso em 2025 e também vice-campeão em 2024, obteve a segunda colocação. Já Marcelo dos Santos, que chegou à final do concurso em 2023, e ostenta o título de Melhor Sommelier do Sul do país em um reality show, completou o pódio. Na mesma agenda de eventos os sommeliers Felipe Guarnieri de Lima e Evandro Luiz Bleichuveh receberam a Certificação Pin Verde Amarelo, uma certificação nacional de excelência para Sommeliers Profissionais, organizada pela ABS-RS, um atestado de alto conhecimento na área, concedido a quem comprova competência através de rigorosas provas teóricas e práticas. Em 2025, os sommeliers Bruno Sias, Lucas Uliana e Gustavo Buske conquistaram este destaque. "Minha ideia ao fazer a inscrição para prova de melhor sommelier era manter atualizados os meus conhecimentos", afirma o vencedor, que recebeu o título de melhor do estado também em 2022 e 2023, "foi uma prova que exigiu muito, tanto do ponto de vista teórico, quanto do prático", reconhece. Buske, que é head sommelier do grupo Casa Hotéis e gerente de alimentos e bebidas da Casa da Montanha, tem também a premiação como melhor sommelier de águas do Brasil, recebida em 2025. "A prova teórica estava bem difícil", reconhece Caroline Dani, "percebemos que os profissionais se dedicaram muito ao estudo para poder vencer essa etapa", aponta a presidente da ABS-RS. Caroline assegura ainda que, em relação à prova prática, o serviço foi de alto nível: "tínhamos ali profissionais que já haviam participado da competição em outros anos, o que nos obrigou como Instituição a fazer uma prova bem diferente das outras", confessa. A prova prática foi realizada em etapas, primeiro com a teoria, em questões que envolveram conhecimentos gerais sobre vinhos, métodos de produção e harmonizações. Depois disso veio a prática, com degustação às cegas, identificação de bebidas em taças negras, análise de cardápios e demonstração de conhecimentos em harmonização de pratos e o serviço de vinhos e espumantes. A prova prática do concurso de Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul teve transmissão ao vivo e está hospedada no canal do YouTube da ABS-RS. Desde a data de realização, mais de 2 mil pessoas assistiram à final. Confira os vencedores MELHOR SOMMELIER DO RIO GRANDE DO SUL 2026 1º lugar: Gustavo Buske Head sommelier do grupo Casa da Montanha 2º lugar: Lucas Uliana Sommelier da Vino Verace 3º lugar: Marcelo dos Santos Sommelier da Vinícola Aurora CERTIFICAÇÃO PIN VERDE AMARELO Felipe Guarnieri de Lima, de Bento Gonçalves (RS) Evandro Luiz Bleichuveh, de Piratuba (SC) Gustavo Buske (ao centro), vencedor da prova está ladeado por Lucas Uliana (dir.), Marcelo dos Santos (esq.) e os professores e diretores da ABS-RS. A partir da esquerda: Marcos Graciani, Vinicius Santiago, Mauricio Roloff, Caroline Dani, Bruno Sias (vencedor 2024), Martha Caus e Júlio César Kunz. Resultados do Concurso Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul 2026 1º: Gustavo Buske 2º: Lucas Manzoni Uliana 3º: Marcelo dos Santos 2025 1º: Lucas Manzoni Uliana 2º: Bruno Sias Rodrigues 3º: Rafael Barasuol Mallmann 2024 1º: Bruno Sias Rodrigues 2º: Lucas Manzoni Uliana 3º: Emmanuel Vinícius Franco de Abreu 2023 1º: Gustavo Buske 2º: Deisi da Costa 3º: Marcelo dos Santos 2022 1º: Gustavo Buske
- Cinco motivos para visitar a Vinoble em 2026
Realizada em Jerez, na Espanha, a feita tem foco em vinhos fortificados e doces especiais, permitindo imersão na cultura da região, reconhecida por produtos únicos e tradições enológicas Por Vinícius Santiago, professor da ABS-RS Fotos divulgação A Vinoble é uma feira internacional dedicada exclusivamente a vinhos nobres, generosos, licorosos e doces especiais, realizada no histórico Alcázar de Jerez, na Espanha. A próxima edição ocorrerá de 30 de maio a 1º de junho de 2026. Para estudantes de sommelerie, a Vinoble oferece uma oportunidade única de aprofundar conhecimentos e vivenciar experiências enriquecedoras no mundo dos vinhos. 1. Contato com uma variedade exclusiva de vinhos A Vinoble é a única feira internacional focada exclusivamente em vinhos fortificados e doces especiais, proporcionando aos estudantes a chance de degustar e estudar uma ampla gama de rótulos raros e de alta qualidade, tanto do Velho quanto do Novo Mundo. 2. Participação em programas de degustação internacional A feira oferece um programa de degustações com uma abordagem internacional, permitindo que os participantes ampliem seu paladar e compreendam as nuances de diferentes estilos de vinhos nobres. As degustações comparativas permitem que o sommelier conheça em profundidade estilos únicos de vinhos e suas diferenças em relação a outros produtos. 3. Networking com profissionais renomados Vinoble reúne produtores, compradores e importadores de vinhos de diversos continentes, oferecendo aos sommeliers a oportunidade de interagir com especialistas, ampliar sua rede de contatos e aprender diretamente de profissionais experientes. 4. Imersão na cultura vitivinícola de Jerez Realizada no Alcázar de Jerez, uma antiga fortaleza mourisca, a feira permite que os visitantes mergulhem na rica história e cultura vitivinícola da região, conhecida por seus vinhos únicos e tradições enológicas. A cidade também oferece eventos paralelos à feira, visitas às vinícolas e degustações temáticas. 5. Acesso a informações privilegiadas e tendências do setor Participar da Vinoble oferece aos estudantes insights sobre as últimas tendências e inovações no mundo dos vinhos nobres, além de acesso a informações privilegiadas que podem enriquecer sua formação e prática profissional. Em suma, a Vinoble 2026 representa uma oportunidade inestimável para estudantes de sommelerie aprofundarem seus conhecimentos, vivenciarem experiências únicas e estabelecerem conexões valiosas no universo dos vinhos nobres.Para mais informações e para se programar para a feira, acesse https://www.vinoble.org/












