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Um brinde aos vinhos laranja

Saiba como eles são elaborados e os principais produtores no mundo



Os vinhos laranja são, de certa forma, intelectuais pela sua complexidade. Esse estilo de vinho vive um momento de expansão, assim como tem acontecido com os biodinâmicos, orgânicos e os vinhos naturais. Foi esse tema que tratei neste episódio do Bella (você pode rever o vídeo ao final deste post).


Os vinhos laranja têm um modelo de produção ancestral com até cinco mil anos de existência. Seus berços são a Geórgia, o Cáucaso e a Armênia. A Itália, atualmente, é o maior produtor, mas conseguimos encontrar vinhos laranja também na Nova Zelândia, Eslovênia, Croácia e nos Estados Unidos. O Brasil também tem demonstrado um grande potencial na fabricação desse tipo de bebida. Os vinhos laranja são produzidos a partir de uvas brancas, cujas cascas não são removidas e permanecem por um longo período em contato com o mosto. Na verdade, o processo é muito parecido com a vinificação de vinhos tintos.


Essa permanência estendida com as cascas desenvolve a tonalidade alaranjada ou âmbar, além de uma textura viscosa. O modo de vinificar é diverso e pode-se dar por técnicas realmente ancestrais, ao estilo da Geórgia, onde o mosto fermenta em ânforas de terracota. Também podem ser usados outros tipos de recipientes para fermentação, como barricas de carvalho ou tanques de cimento. O processo original consiste em introduzir cachos inteiros, inclusive o engaço, em ânforas de terracota revestidas internamente com cera de abelha e aterradas para que se tenha uma temperatura mais baixa de maturação. Dependendo da uva ou do recipiente, o tempo de maceração é longo, em geral oito meses ou mais.


O aspecto geral tende sempre ao turvo, uma vez que a única forma de clarificação é a decantação espontânea dentro das ânforas. Esses vinhos são ricos em aromas, com destaque para as notas minerais, florais, herbáceas, e também de frutas com um espectro que vai das cítricas até as cristalizadas. Um dos sabores que os vinhos laranja tendem a ressaltar é o umami. Esse estilo de vinho é fresco e untuoso ao paladar. A temperatura de serviço é como a dos rosados, variando entre sete a doze graus naqueles vinhos cujas fermentações são mais curtas. Os de fermentação mais longa e mais encorpados precisam de uma temperatura de 12 a 14 graus. Nas harmonizações precisamos considerar sua complexidade, mas há um leque muito grande de pratos que podem combinar, como atum, cordeiro ou mesmo uma paella. Um brinde aos vinhos laranja e toda a sua prosperidade!


Sobre a autora: Juciane Casagrande Doro é diretora institucional da ABS-RS. Nascida em Bento Gonçalves- RS, e envolvida com a cultura do vinho, formou-se em 1998 como enóloga pelo CEFET, em Bento Gonçalves, primeiro curso universitário de enologia do país. Iniciou sua carreira profissional na área de vendas e marketing do vinho, na qual dedica-se até hoje. Esteve por 20 anos à frente da diretoria Comercial do Grupo Valduga e atualmente dedica-se a empresa que é socia, Amitie Vinhos e Espumantes, além de sua empresa de consultoria comercial. Para aprimorar seus conhecimentos, cursou administração em comércio internacional, fez estágio em enologia na França em Bordeaux e Borgonha, e na Italia, em Udine, região Friuli-Venezia Giulia. Também cursou WSET 1,2,3, teve participação como jurada em inúmeros concursos nacionais e internacionais de vinhos e segue aprimorando-se no mundo vinho constantemente.


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