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Os abundantes estilos de Vinhos do Porto

Eles vão de brancos jovens, leves e secos até tintos potentes





Existem diversos estilos de Vinhos do Porto, alguns mais comuns e outros mais raros. Eles diferem no método de produção, amadurecimento e envelhecimento, originando bebidas com características sensoriais muito distintas, de brancos jovens, leves e secos até tintos potentes, complexos e longevos. Neste artigo apresento os estilos de vinho do Porto, seus principais aromas, sabores e maneiras de consumi-los, bem como algumas das principais opções de harmonização, temas que tratei no Bella Ciao de 29 de março (a aula completa está no final deste post, inclusive com as dicas básicas de abertura de Portos mais velhos). Os estilos dos Vinhos do Porto são divididos em dois eixos. Um deles em função de cor e outra separação onde entram o standard, que são aqueles básicos e mais econômicos, além das categorias especiais. Conheça, a seguir, os principais estilos.


Porto Rosé

Estilo mais novo lançado em 2008 pela Croft e só existe na categoria Standard. É feito a partir de uvas tintas, tem aromas e sabores frescos e frutados (cereja, framboesa, morango, laranja e toranja). Deve ser consumido jovem, tradicionalmente com gelo e também é muito usado em coquetéis. Ideal para ser consumido durante o verão.


Porto Branco Standard

Apresenta variação na doçura – desde quase secos até bem doces. Apresenta uma variedade de aromas e sabores bastantes distintas. Se tiver maceração com as cascas origina estilos mais intensos (com aromas de oleaginosas e frutas em calda). Já com prensagem direta apresenta estilos mais frescos e exuberantes, com notas de frutas frescas. Também é usado em coquetéis. Os extra secos são a base do Porto Tônico, adicionados de água tônica, limão e eventualmente hortelã.


Porto Branco de categorias especiais (Reserva, Indicação de Idade/10, 20, 30 e 40 anos) e Colheita

O Reserva tem de passar por um estágio mínimo de seis anos em madeira, o que o faz ter uma pegada oxidativa. E a partir do Reserva a concentração será cada vez maior, conforme a idade aumenta nos vinhos Colheita e com Indicação de Idade. Tem cor dourada e âmbar, apresentam aromas de oleaginosas, laranja cristalizada, panificação, mel, especiarias e frutas em calda. São estilos intensos e ricos. Poucas vinícolas produzem – Andresen é uma delas. Vale a pena provar, pois são mais raros que os Ruby e os Tawny. Tendem a ser mais elegantes que os Tawny das mesmas categorias especiais. Os vinhos estão prontos para o consumo, não se beneficiando de envelhecimento na garrafa.


Porto Tawny Standard

Primeiro estilo de Vinho do Porto. Envelhece em casco de madeira e, por isso, ganha um toque oxidativo e aloirado com o tempo. Passa por envelhecimento em madeira, com blends de diferentes safras e maturações. A coloração avermelhada se perde com o tempo, ganhando tons alourados, mas os de categoria standard ainda são mais vermelhos que alourados. Tem aromas de oleaginosas e frutas secas. Os taninos geralmente são perceptíveis e o vinho está pronto para o consumo, não se beneficiando de envelhecimento na garrafa.


Porto Tawny Reserva

É obrigatório passar por um estágio mínimo de seis anos em madeira. Trata-se de um blend de safras diferentes. Nesse caso, a cor é aloirada com leves tonalidades vermelhas. Terá aromas de frutas secas, oleaginosas e especiarias. É mais encorpado e persistente do que os Tawny Standard, porém sem taninos marcantes, com maior sutileza. Também é vendido pronto para ser bebido, não se beneficiando de envelhecimento na garrafa.


Porto Tawny Indicação de Idade

Quanto maior a idade, mais alourada é a cor, sendo possível encontrar tonalidades esverdeadas na borda dos vinhos mais velhos, à partir de 30 anos. Os aromas são cada vez mais intensos lembrando noz, amêndoa, avelã, torrefação, caramelização e especiarias. Nos vinhos a partir de 30 anos ocorre a síntese de uma molécula chamada sotolon (que também é encontrada nos vinhos produzidos com uvas afetadas pela podridão nobre), apresentando aromas de curry e xarope de bordo. A acidez é muito presente, o que permite o longo envelhecimento, e a doçura se concentra com o tempo. Quanto maior a idade, maior a persistência, e o vinho já está pronto para o consumo, não se beneficiando de envelhecimento na garrafa.


Porto Tawny Colheita

Proveniente de uma única safra, tem estágio mínimo de sete anos em madeira, mas geralmente fica muito mais tempo. É comum ficar por até vinte ou trinta anos. O perfil aromático é cada vez mais intenso, assim como a acidez elevada e doçura concentrada, como a persistência que avança com a idade maior, como ocorre com os Tawny com indicação de idade. Está pronto para ser consumido logo após o engarrafamento, não se beneficiando de envelhecimento na garrafa. É uma boa opção para presentear alguém com um vinho do ano de seu nascimento.


Porto Garrafeira

É um estilo raríssimo e caríssimo (entre R$ 4 mil e R$ 6 mil). Também tem de ser proveniente de uma única safra. Fica em estágio mínimo de sete anos em madeira e por mais oito anos em garrafões, mas geralmente fica muito mais tempo. Perde um pouco da potência dos Colheita e dos Portos com indicação de idade, porém ganha delicadeza e profundidade únicas. Se puderem degustar, o façam, pois é o tipo de vinho que vale a pena provar.


Porto Ruby Standard e Reserva

O Ruby tem cor intensa (púrpura até rubi), aromas de frutos negros de média intensidade, taninos presentes. Já o Reserva apresenta maior intensidade em todos os parâmetros (cor, aromas, sabores, corpo e taninos). Ambos apresentam amadurecimento predominantemente, mas não exclusivamente redutivo, sem oxigênio, por isso a fruta preta estará mais preservada. Devem ser consumidos jovens, não se beneficiando de envelhecimento na garrafa.


Porto LBV (Late Bottled Vintage)

Proveniente de uma única safra. É engarrafado tardiamente entre o quarto e o sexto ano após a vindima. Apresenta cor rubi intensa e é encorpado e rico na boca. Pode beneficiar-se de estágio em garrafa entre cinco a quinze anos após o engarrafamento, principalmente o Unfiltered (não filtrados) que tem maior longevidade. LBV é um estilo de vinho do Porto menos concentrado que o Vintage, mas que está pronto para consumo mais cedo.


Porto Crusted

É o menos conhecido dos estilos Ruby. É um blend de várias safras recentes, encorpado e de cor muito intensa. Passa por estágio em garrafa obrigatório de, no mínimo, três anos, onde desenvolve a crosta, daí o nome Crusted. Único estilo de Porto degustado duas vezes antes de ser autorizado pelo IVDP. É um intermediário entre o LBV e o Vintage, pois tende a ser mais concentrado que um LBV e menos que o Vintage. É um estilo que poucas vinícolas produzem.


Porto Vintage

Proveniente de uma única safra e engarrafado entre o segundo e o terceiro ano após a vindima. No momento do engarrafamento deve estar retinto (apresentando cor tinta profunda; púrpura ou rubi escuríssimos). Tem aromas de fruta preta, florais e vegetais, além de grande estrutura. Com evolução ganha notas de compota, como geleia de cassis, e chocolate negro. Cada empresa pode declarar seus Vintages. Todo o envelhecimento se dá na garrafa, com os melhores exemplares podendo evoluir por décadas.


Para quem quiser se aprofundar conhecendo o terroir do Vinho do Porto, assim como o clima e sua vinificação pode clicar neste link e acompanhar um dos primeiros encontros do Bella Ciao onde tratei do assunto.



Sobre o autor: Vinícius Santiago é diretor de degustação e professor ABS-RS. Sommelier profissional formado pela Associação Brasileira de Sommeliers, Sommelier de Cervejas pela Doemens Academy, WSET Level 3 Award in Wine and Spirits, Formador Homologado de Jerez, Formador Certificado de Vinho do Porto, French Wine Scholar e aluno do curso superior em viticultura e enologia (IFRS). Sommelier de vinícolas no Brasil e na França, hoje é professor do WSET Level 1 e Level 2, professor do FWS, consultor de vinícolas e lojas de vinho e sommelier da Santiago Cursos e Eventos.