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Como conservar seus charutos - um guia prático

há 7 horas
3 min de leitura

Assim como no vinho, o charuto bem guardado pode evoluir e se tornar uma experiência ainda mais rica

Daroon Jasm / Pexels


Por Vinícius Santiago

Professor da ABS-RS


Para os apreciadores de um bom tabaco, o ritual de degustar um charuto é comparável à abertura de um vinho de guarda: exige paciência, técnica e, acima de tudo, respeito ao produto. Um charuto é um item ‘vivo’, composto pelas folhas de tabaco, que continuam a evoluir com o tempo.

 

Se você comprou exemplares em uma viagem ou recebeu um presente especial e quer garantir que eles mantenham o sabor, o aroma e a queima perfeita até o momento de acendê-los, confira este guia prático que preparamos para o blog da ABS-RS.

 

1. O Binômio de Ouro: Umidade e Temperatura


Diferente de outros produtos secos, o charuto precisa de um ambiente que simule o clima tropical onde o tabaco foi cultivado e enrolado. O segredo está no equilíbrio de dois fatores:

Umidade Relativa (UR): O ideal é mantê-la entre 65% e 72%.

Muito seco: O charuto queima rápido, fica picante e a capa pode rachar.

Muito úmido: O charuto apaga toda hora, o fluxo fica pesado e há risco de mofo.

Temperatura: O ideal é em torno de 18°C a 21°C.

Temperaturas acima de 23°C, combinadas com alta umidade, podem despertar a Lasioderma serricorne (o bicho do tabaco), que fura os charutos e destrói sua coleção.

 

2. O Investimento Essencial: O Umidor


A maneira mais correta de guardar charutos em casa é em um umidor. Trata-se de uma caixa geralmente feita de Cedro Espanhol. Essa madeira é a escolha perfeita por três motivos:

- Ajuda a regular a umidade naturalmente.

- O aroma do cedro complementa o do tabaco.

- Atua como um repelente natural para insetos.

 


Componentes de um bom umidor:


Higrômetro: Equipamento que mede a umidade. Os digitais são mais precisos que os analógicos.



Efusor/Umidificador: O acessório que libera umidade (pode ser uma esponja com água destilada ou sachês de controle bidirecional, como os da marca Boveda).

 


3. Não tenho umidor, e agora? (O "Tupperdor")


Se você ainda não possui uma caixa de madeira, não deixe seus charutos soltos na gaveta ou na geladeira (nunca faça isso!). Você pode improvisar um Tupperdor (Tupperware + Umidor):

- Use um recipiente plástico com vedação hermética (aqueles com travas e borracha na tampa).

- Coloque um sachê de controle de umidade (tipo Boveda) dentro.

- Mantenha em um local escuro e fresco da casa.


 

4. Dicas de Manutenção e Boas Práticas


Para garantir a longevidade da sua seleção, siga estas recomendações:

Use Água Destilada: Se o seu umidor usa esponja, evite usar água da torneira. O cloro e os minerais podem mofar o charuto e estragar a madeira do umidor.

Circulação de Ar: Uma vez por quinzena, abra seu umidor por alguns minutos. Isso renova o oxigênio e evita o cheiro de mofo.

Organização: Tente não amontoar excessivamente os charutos. Deixe um pequeno espaço para que o ar e a umidade circulem entre eles.

Cuidado com a Luz: Nunca deixe seu umidor exposto diretamente ao sol. O calor excessivo altera as propriedades do tabaco.

 

Conclusão


Conservar charutos é uma extensão do prazer da degustação. Ter o cuidado de monitorar a umidade e a temperatura garante que, quando chegar o momento de relaxar, o charuto entregue exatamente as notas sensoriais planejadas pelo Master Blender.

 

Assim como um bom vinho, o charuto bem guardado não apenas se mantém, mas pode evoluir e se tornar uma experiência ainda mais rica com o passar dos meses.

 

Gostou das dicas? Continue acompanhando o blog da ABS-RS para mais conteúdos sobre o universo da enogastronomia e charutaria!

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