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Tempranillo: a uva de muitas identidades

Degustar os diferentes nomes desta uva fascinante é explorar seus diferentes terroirs


É comum no mundo do vinho que uma mesma uva seja nomeada de diferentes maneiras, dependendo de onde ela é cultivada. Na maior parte das vezes, as diferenças são sutis. A Syrah, por exemplo, é internacionalmente conhecida com essa grafia, mas em algumas partes do globo – principalmente no Novo Mundo – ganha a nomenclatura de Shiraz. Por vezes parece apenas uma questão de sotaque. É o caso da Alvarinho, que é assim conhecida em Portugal e, ao cruzar a fronteira, se torna Albariño na Espanha. Há castas que mudam drasticamente de nome, como a Zinfandel, que se adaptou dessa forma nos Estados Unidos e na Itália é chamada de Primitivo.


Mas poucas variedades reúnem tantos sinônimos quanto a Tempranillo, variedade emblemática da Península Ibérica. Em espanhol “temprano” significa “cedo”, e ela foi assim batizada porque tem uma maturação mais precoce, principalmente em relação a outras uvas típicas espanholas. Ela tem características sensacionais. Se dá muito bem em cortes, tem excelente longevidade e cria aromas complexos com o amadurecimento. É realmente muito versátil, sendo plantada em diferentes partes da porção oeste da Europa – além de ser um símbolo da Espanha, é também a uva mais plantada em Portugal. E ao se espalhar por diferentes lugares, foi ganhando novos apelidos, mesmo dentro desses dois territórios.


Tempranillo é o nome mais comum e é como ela é conhecida principalmente na sua região de referência, a Rioja. Mas não precisa ir longe para descobrir outras identidades. Na Catalunha é chamada de Ull de Llebre. Na Extremadura, Cencibel. Já no Vale do Rio Duero, numa área razoavelmente pequena, ela tem três outros apelidos principais. Será chamada de Tinta de Toro na região de Toro, Tinto Fino em Ribera del Duero e Tinta del País pela vizinhança.


Vale ressaltar que no país ao lado, por sua ampla presença, a Tempranillo também tem outras identidades. Vamos encontrá-la como Tinta Roriz, principalmente ao norte de Portugal, e Aragonez, na metade sul.


O interessante é que essa versatilidade representa adaptações particulares a cada região. Os sinônimos significam expressões de distintos terroirs. Então ao degustar a mesma uva com diferentes nomes se está provando identidades locais. É o tipo de pesquisa e comparação que vale a pena fazer, na teoria e na prática.


Sobre o autor: Jornalista de formação, Maurício Roloff atua no setor vinícola há cerca de 15 anos, através de reportagens, colunas e sites especializados. Diretor de Ensino da ABS-RS, é Sommelier Profissional (ABS-RS/FISAR) com certificação WSET e professor de Harmonização de Vinhos da Graduação Tecnológica em Gastronomia da Unisinos (Universidade do Vale do Rio do Sinos). Seu conhecimento foi complementado em viagens por importantes regiões produtoras de vinho no mundo.

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