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Os vinhos que marcarão a Safra 2023

Neste ano as temperaturas mais amenas propiciaram maturação lenta, atividade que preservou a acidez dos espumantes


Como acontece em todos os anos, a ABS-RS antecipa as tendências da Safra vigente. No texto a seguir detalho os pontos mais importantes da entrevista que fiz com Ricardo Morari, presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE). O enólogo fez um balanço da Safra 2023 em todas as regiões produtoras do país e também falou sobre tendências do mercado vinícola em recente episódio do Bella (você pode rever o vídeo diretamente no canal do YouTube da ABS-RS clicando aqui). O ano foi novamente muito favorável. A colheita, que iniciou cedo, se prolongou um pouco mais em função do clima. Morari afirma que, pelo menos nos últimos cinco ou seis anos o Brasil está sendo, de alguma forma, favorecido pelas mudanças climáticas.


“Temos tido algumas safras frequentemente com pouca chuva. Sempre damos muita ênfase para a estiagem, que em seu termo próprio sempre leva a pensar em perdas e dificuldade de produção, mas quando se fala em vitivinicultura sabemos que menos é mais em termos de chuva, então temos sido favorecidos nos últimos anos também pela seca”, destacou. Morari também detalhou como se deu o ciclo da videira ao longo da última safra para esta. “Viemos de um inverno com muitas horas de frio, algo bom, pois a videira consegue repousar com a força e energia necessárias para se desenvolver bem; a primavera foi um fria, pode-se dizer, o que em alguns casos foi prejudicial, pois tivemos algumas perdas registradas em função de geadas tardias, afetando principalmente as castas precoces, como a Chardonnay e a Pinot Noir. E tivemos pouca chuva desde o início da vegetação, brotação, floração e depois a colheita teve níveis de chuva baixos”, conta. A Campanha Gaúcha foi uma das regiões que mais sofreu mais com estiagem.


Várias uvas tintas foram colhidas com altíssima maturação e concentração, não somente em açúcar, mas também apresentando polifenóis e taninos maduros que, com certeza, contribuirão para que nesta safra os vinhos tenham altíssima longevidade. Ainda entre as viníferas tintas, Morari antecipa que Sangiovese, Pinot Noir e Gamay mostraram resultados excelentes. No caso das brancas para os espumantes, há um diferencial em relação ao ano passado, uma safra que foi considerada boa, mas que teve temperaturas muito altas. Enquanto em 2022 foi preciso acelerar a colheita para preservar a acidez dos espumantes, neste ano as temperaturas mais amenas propiciaram maturação lenta que, automaticamente, preservou a acidez. “Quando começamos a colher as brancas para os espumantes, já percebemos que teríamos uma safra de excelente qualidade para eles, principalmente nessas uvas precoces. E prosseguimos a colheita com as brancas para espumante mais tardias, como o caso da Moscato, tão importantes para os moscatéis, que representam um grande volume hoje e de forma bem regular”, detalha. Morari destaca que os Proseccos, cuja adaptação da casta Glera às condições de produção brasileiras foi extraordinária, terão muito frescor e leveza.


Outras variedades estão mostrando que podem ter potencial muito grande no Brasil. A Alvarinho, cuja produção ainda é muito pequena, é um varietal que produz bem e não é atacada por doenças no vinhedo. Ela tem sido colhida com uma maturação e acidez altíssimas e, de modo geral, tem dado um boníssimo resultado enológico. Já no caso das tintas, as variedades italianas têm ganhado terreno em todo o país. Depois de serem plantadas na Rota dos Vinhos de Altitude, em Santa Catarina, começaram a se espalhar na Serra Gaúcha, na Serra do Sudeste e na Campanha Gaúcha. Hoje é possível degustar ótimos rótulos de Teroldego e Ancellotta, por exemplo. O Tannat da Campanha foi outro destaque apontado pelo presidente da ABE. A casta, no caso, teve uma condição de produção muito boa, de altíssima maturação em períodos maduros, apresentando vinhos com grande potencial, características que têm se repetido ao longo dos últimos anos. “O Brasil tem encontrado formas de produzir boas uvas com maturação interessante e elaborar grandes vinhos. O Tannat elaborado na Campanha tem sempre uma condição de produção muito boa, de altíssima maturação em períodos maduros fazendo com que os vinhos tenham grande potencial. Tem muita coisa vindo por aí. Acho que essa diversidade é importante, pois o consumidor brasileiro ainda busca muita coisa nova, e quanto mais tivermos a apresentar, e com qualidade, melhor”, opina Morari.


Sobre o autor: Marcos Graciani é diretor da ABS-RS, Sommelier pela ABS-RS e ABS-SP, além de ter certificação pela Wine & Spirit Education Trust (WSET) - Nível 2. Há mais de 20 anos incursionou no mundo dos vinhos. Em AMANHÃ, onde é editor da edição impressa e portal, é titular do Blog Cepas & Cifras, espaço que se notabilizou por registrar a economia na cadeia vitivinícola brasileira e da região Sul especialmente, além de temas relacionados, a exemplo do marketing e da gestão.

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