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Curiosidades sobre a Borgonha

Saiba um pouco mais sobre uma das mais importantes regiões vitivinícolas da França


A Borgonha é uma das regiões mais interessantes e atrativas do mundo do vinho, mas também é uma das localidades que gera mais dúvidas. A Borgonha fica na região nordeste da França e apresenta características bastante peculiares. Ela é dividida de Norte ao Sul em cinco sub-regiões. Ao extremo Norte, quase na região de Champagne, localiza-se a região de Chablis e de Chatelain e depois, em uma linha quase reta em direção ao Sul, a região será dividida em Côte de Nuits ao Norte e, a seguir, a Côte de Beaune.


Essas duas encostas vão formar a chamada Côte d´Or, a região mais prestigiosa da Borgonha e onde estão localizados a maior parte dos vinhedos Grand Crus da região. Depois, ao Sul, está localizada a Côte Chalonnaise e, por fim, o Mâconnais que vai fazer fronteira com o Beaujolais. O Mâconnais não tem encostas, e sim colinas suaves, onde vai ser produzido uma boa parte do vinho branco da Borgonha. Para entender a Borgonha é essencial lembrar que essa foi uma região que foi classificada, organizada e que teve a produção de vinhos conduzida principalmente por ordens religiosas e monásticas. Foram justamente esses monges que, ao longo da história, foram classificando os vinhedos pela sua qualidade na produção.


A maior parte dos vinhedos estava em encostas. De maneira geral, os vinhos que estavam na base da encosta, na parte plana, eram vinhos para o dia a dia, mais comuns e simples. Os vinhos que estavam na primeira parte da subida da encosta eram vinhos de melhor qualidade e eram direcionados principalmente para os bispos. No alto da encosta, onde os solos eram muito pobres, os vinhos eram ainda melhores, mas eles geralmente eram dedicados aos cardeais. E é justamente na metade da encosta onde a produção costuma ser pequena, mas com qualidade muito elevada, com grande complexidade de aromas e sabores, que eram produzidos os vinhos para o Papa.


São vinhedos conhecidos até hoje que foram classificados em 630 como o Clos de Bèze ou em 775 como o vinhedo de Corton. São vinhas que são classificadas e reconhecidas pela sua qualidade na produção de vinhos há mais de 1 mil anos. Hoje, a Borgonha não é mais cultivada pelos monges e pelas ordens religiosas, mas esse modo de organizar os vinhos se manteve. Na Borgonha é muito importante o conceito de Climat. Essa palavra significa “uma parcela de vinhedos definida pelo homem, reconhecida ao longo do tempo, com características geológicas, hídricas e de orientação particulares.”


Cada uma dessas parcelas de vinhedos, ou cada um desses Climats, pode ou não ter uma classificação. Eles serão classificados como Premier Cru ou Grand Cru. Premier Cru é uma parcela classificada para produzir vinhos de alta qualidade. Já os Grand Cru são parcelas de vinhedos classificadas por produzir vinhos de qualidade excepcional. É importante lembrar que a Borgonha cultiva diversas castas, mas são duas as principais. Os brancos são elaborados a partir da casta Chardonnay e os tintos usam a Pinot Noir. Existem outras brancas e tintas, mas essa dupla vai dominar a maior parte dos vinhedos na Borgonha.


Considerando os diversos solos da Borgonha, tanto a Chardonnay, quanto a Pinot Noir terão expressões distintas. A Chardonnay terá expressões significativamente melhores em dois tipos de solo: os calcários notadamente os do extremo Norte da Borgonha que estão em Chablis e também os solos argilo-calcários, aqueles de marga, que estão na Côte d´Or, principalmente na Côte de Beaune. Já a Pinot Noir vai ter seus grandes vinhos em solos com grande proporção de calcário ou margas, solos argilo-calcários muito ricos em calcário que são predominantes tanto na Côte de Nuits quanto na Côte de Beaune. Nesses solos a Pinot Noir terá suas grandes expressões com vinhos muito perfumados, elegantes e complexos.


Considerando esse quadro geral, a Borgonha é uma região relativamente pequena, mas que tem os seus vinhos classificados em quatro níveis regionais, comunais, Premier Cru e Grand Cru feitos principalmente a partir das castas Chardonnay e Pinot Noir com grande qualidade e diversidade, produzindo inclusive alguns dos vinhos mais caros e mais desejados do mundo, como o Romanée-Conti, por exemplo.


Sobre o autor: Vinícius Santiago é diretor de degustação e professor ABS-RS. É Sommelier Profissional (ABS-RS), Pin Verde e Amarelo ABS-Brasil, ASI Certification 1, WSET Diploma, Formador Homologado de Jerez, Formador Certificado de Vinho do Porto, Educador de Vinho Madeira, French Wine Scholar, Italian Wine Ambassador, Sommelier de Cervejas pela Doemens Academy, Sake Expert pela Japan Sake Association e Mestre Alambiqueiro pelo IFFar. Atualmente é Head Sommelier do Víssimo Group (marcas Evino e Grand Cru).

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